Um golpista está se aproveitando da fragilidade de famílias de pacientes internados em leitos de Unidades de Terapia Intensiva do Hospital Promatre, em Juazeiro, no Norte da Bahia, para aplicar o golpe do exame. O estelionatário, que se apresenta como médico, liga para a família do paciente fingindo que é do hospital para pedir dinheiro para realização de exames e procedimentos, informando número do Pix, para onde a transferência deve ser feita.
De acordo com denúncias que chegaram ao PNB, nessa quarta-feira (06), o falso médico, que utiliza o nome da unidade hospitalar, também entrou em contato com as famílias dos pacientes através do aplicativo de mensagens WhatsApp.

“O golpista ligou se apresentando como Dr. Marcelo Gomes, dizendo que meu familiar, que está internado na UTI do Hospital Promatre, estaria precisando fazer um exame de tomografia, com urgência, que custaria o valor de R$ 1.500,00. Ele disse que esse procedimento não poderia ser feito pelo plano de saúde e teríamos que enviar esse valor pelo pix. Chegamos a desconfiar que poderia se tratar de um golpe, pois ele parecia não entender muito do assunto e falava algumas palavras erradas. Porém, diante da nossa preocupação e aflição com o estado de saúde do nosso familiar, chegamos a nos reunir para tentar arrecadar esse valor”, declarou o familiar de um paciente.

De acordo com ele, antes de enviar o valor para o golpista, a família foi informada por funcionários da Promatre que se tratava de um golpe.
“Uma família acabou caindo no golpe e entrou em contato com o hospital, que avisou as famílias dos outros pacientes. Se não fosse isso, nós também teríamos caído. E ele continuou falando com a gente pelo WhatsApp. A pessoa que, infelizmente, enviou o pix para o golpista esteve no banco e foi informada que a conta havia recebido várias transferências na data de ontem. Ou seja, ele fez mais vítimas em outros hospitais do país. A conta utilizada já havia sido cancelada. Ela prestou queixa na Delegacia Territorial. Esperamos que os responsáveis por este golpe sejam presos, para que outras famílias não passem pelo mesmo. É muita crueldade se aproveitar de um momento de fragilidade para aplicar golpes nas pessoas, que já estão passando por um momento tão difícil”, acrescentou.
As famílias dos pacientes acreditam que houve negligência por parte do Hospital Promatre, que teria passado informações sobre as pessoas internadas na instituição.
“O golpista tinha informações sobre os pacientes e sobre nós familiares. Fomos informados que ele entrou em contato com o Hospital, também se passando por um médico, e conseguiu essas informações. Mas isso é uma negligência da unidade. Estamos aguardando um posicionamento da direção do hospital, que até o momento está se esquivando da responsabilidade”, finalizaram.
O PNB entrou em contato com o Hospital Promatre. O médico-diretor do hospital, Vitor Borges, informou que “o hospital não tem conhecimento. Esperamos que a polícia possa investigar e chegar a um desfecho”.
Nossa equipe também entrou em contato com a Polícia Civil de Juazeiro. Em nota, a 1ª Delegacia Territorial de Juazeiro informou que “investiga o estelionato sofrido por uma mulher, que foi vítima de um homem que se passou por médico em um hospital localizado no centro daquele município, onde a mãe da vítima está internada na UTI. Ele cobrou a quantia de R$ 1.850 para realização de exames e só depois a vítima descobriu que se tratava de um golpe. Imagens de câmeras de segurança do hospital estão sendo coletadas para identificar o autor”.
Golpes semelhantes
Um caso recente, que ganhou repercussão nacional foi o do ex-BBB Rodrigo Mussi. Em abril, o irmão dele contou nas redes sociais que quase caiu em um golpe muito parecido com o que aconteceu aqui em Juazeiro.
Diogo Mussi disse que foi procurado por um homem que se passava por médico do Hospital das Clínicas de São Paulo, onde o irmão dele se recuperava de um acidente. Na mensagem, o golpista pedia R$ 7 mil para comprar remédios que estariam em falta no hospital. A foto usada era de um médico de verdade, um cirurgião do interior de Minas Gerais.
O golpe do falso médico cresceu na pandemia do novo coronavírus, mas é antigo.
Em 2017 uma reportagem do Jornal Nacional falou sobre golpes aplicados por presidiários em pessoas que tinham parentes internados em UTIs. Na época, a polícia disse que a quadrilha enganou pacientes em hospitais públicos e privados em todo o Brasil.
Escutas feitas com autorização da Justiça mostram que os criminosos perceberam o despreparo de funcionários que, sob pressão, acabavam revelando informações sigilosas como o nome e detalhes dos prontuários das vítimas.
Na ocasião, o Instituto de Defesa do Consumidor afirma que a responsabilidade sobre o vazamento de dados dos pacientes é sempre dos hospitais.
“Esses golpes são aplicados com informações que são contidas em prontuários médicos. Esse tipo de informação é delicado, e ela está sob a guarda e acesso muito restrito do estabelecimento de saúde. Se essa informação vazou, algum dever de sigilo e de guarda foi negligenciado. Então, mesmo que seja possível avisar o paciente da ocorrência do golpe, ainda assim a responsabilidade dessas prestadoras, do hospital, do estabelecimento de saúde permanece”, explicou a advogada do Instituto Brasileiro de Defesa ao Consumidor na época.
Redação PNB



