“A maternidade de Juazeiro é uma bomba chiando, prestes a explodir”, esta é a avaliação feita por um grupo de funcionários do Hospital Materno Infantil de Juazeiro, no Norte da Bahia.
Em contato com o Portal Preto no Branco, os profissionais, que preferiram não ser identificados, apontaram diversos problemas que estariam ocorrendo na unidade, entre elas a insuficiência de plantonistas.
“Um dos principais problemas é a pouca quantidade de anestesistas atuando no HMI. Atualmente apenas um profissional atende por plantão. Isso também vem provocando uma demora nas cirurgias. Além disso, quando um dos anestesistas precisa faltar por algum motivo, o hospital fica sem o profissional. Por tanto, a maternidade precisa ter pelo menos dois anestesistas por plantão, por se tratar de urgência e emergência. Hoje mesmo fomos informados que não haverá plantonista a noite, o que vai prejudicar as pacientes. Também existem poucos médicos cirurgiões no hospital. A população cresceu e a demanda também”, declaram.
Os profissionais reclamam ainda da falta de uma Unidades de Terapia Intensiva neonatal e obstetra no HMI de Juazeiro.
“Já passou da hora da Secretaria de Saúde implantar a UTI obstetra e neonatal na maternidade. Inclusive essa foi uma promessa de campanha da Prefeita Suzana Ramos, que até agora não colocou em prática. Por conta da falta de UTI na maternidade, muitas gestantes e recém-nascidos ficam na fila da regulação, aguardando vaga em outros hospitais, correndo risco de morte. Enquanto isso, hospitais como o Dom Malam, em Petrolina, ficam sobrecarregados”, acrescentaram.
O PNB já encaminhou as reclamações para a Secretaria de Saúde.
Relembre
Em setembro do ano passado, uma paciente relatou que após a bolsa romper, precisou ser transferida para o Hospital Dom Malan, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco por falta de um médico anestesista no HMI.
“O que disseram foi que não tinha anestesista e nem iria chegar”, relatou a paciente na época.
Na ocasião, a Sesau declarou ao PNB que a falta de anestesia na unidade se tratou de um problema pontual, já que o profissional escalado havia faltado ao plantão sem um aviso prévio, o que impossibilitou a convocação de um substituto.
Em julho do ano passado, familiares apontaram que a causa do óbito de um recém-nascido foi causado pela falta de Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, no Hospital Materno Infantil de Juazeiro. A criança nasceu com o cordão umbilical enrolado no pescoço e ficou sem oxigenação no cérebro.
Apesar de precisar com urgência de uma UTI Neonatal, o bebê morreu após cinco dias de espera por atendimento.
“O menino nasceu roxo, sem chorar e sem abrir os olhos. Deixaram ele na incubadora, aguardando uma vaga de UTI em uma unidade hospitalar de outro município, pois nem aqui em Juazeiro não tem esse suporte na rede pública. Ele só foi transferido dias depois para um hospital do município de Irecê. Porém, chegando lá, ele não resistiu. Demoraram muito para dá esse suporte ao meu sobrinho. Se aqui tivesse UTI, e se a regulação não tivesse demorado tanto, ele estaria vivo”, relatou a tia da criança, Edilane de Jesus na época.
A Sesau não se manifestou na época sobre o caso.
Redação PNB



