“Somos uma categoria invisível”: Agentes do Conjunto Penal de Juazeiro denunciam condições precárias e riscos no ambiente de trabalho

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Monitores de ressocialização, que atuam no Conjunto Penal de Juazeiro (CPJ), Norte da Bahia, voltaram a procurar o Portal Preto no Branco para reclamar de situações que estão enfrentando em alguns setores da unidade prisional. De acordo com eles, há anos não é concedido nenhum reajuste salarial e as condições de trabalho são precárias.

Eles afirmam ainda que a empresa Reviver, responsável pela contratação dos agentes e administração do CPJ, não concede aumento salarial para os funcionários argumentando  que “os mesmos não têm contato com os internos”, o que segundo eles, não procede.

“Gostaria de relatar, mais uma vez, a indignação com as condições de trabalho dos monitores de ressocialização, do conjunto Penal de Juazeiro, que é administrado pela empresa Reviver. A situação está caótica. Somos obrigados a realizar uma função, onde não existe reconhecimento e remuneração adequados. Hoje a nossa realidade é um salário de R$1.480,00, sem os descontos.  Sofremos ameaças, fazemos revistas em celas, trabalhamos em ambiente insalubre, realizamos rondas noturnas dentro dos pavilhões A e B.  Além disso, estamos com um efetivo baixo, para uma grande proporção de presos. Geralmente existe posto de serviço que fica com até dois monitores, para observar mais de 100 presos. Também temos que impedir arremessos de pacotes que são feitos de fora para dentro do presídio, com drogas e celulares, podendo conter até material explosivo, ou  perfurante. Há muitas facções. Corremos risco 24 horas, mas fazemos todas essas funções, porque somos profissionais. A impressão é que somos uma categoria invisível e nunca houve uma atenção por parte de qualquer órgão regulador”, declararam.

Ainda de acordo com eles, a mudança na nomenclatura da categoria foi mais uma manobra para retirada de direitos.

“Quando entramos no CPJ, a função que tínhamos na carteira era a de Agente Disciplinar Penitenciário. Agora dizem que somos monitores de ressocialização. Uma estratégia para retirar nossos direitos, mas na teoria não fazemos essa função. Na realidade, exercemos a função de policia penal, apesar da empresa dizer que não. 90 % dos funcionários ou mais sofrem de depressão ou distúrbios”, acrescentaram.

Os profissionais relataram ainda que planejam realizar uma manifestação em frente ao prédio do CPJ.

“Nós monitores já estamos com uma estratégia para chamar atenção do poder público, sem sermos punidos e perdemos nossos direitos. Iremos para a porta da unidade, com cartazes. Toda a categoria. Muitos têm medo, pois necessitam do emprego, mas será um manifesto pacífico para colocar o nome da empresa em evidência. Sabemos que vamos vencer, pois estamos lutando por nossos direitos. A reviver é recordista de ações trabalhistas”, finalizaram.

Estamos enviando, mais uma vez, as reclamações para a empresa Reviver e ainda para a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado da Bahia.

Redação PNB

 

 

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