Segundo informações que chegaram ao Portal Preto no Branco, parte do teto de um dos quartos da Casa Messe de Amor, do município de Juazeiro, no Norte da Bahia, desabou. De acordo com a fonte, que preferiu não ser identificada, a situação aconteceu na tarde do último sábado (07), e um engenheiro, que esteve no local, orientou a retirada das crianças e adolescentes acolhidos, assim como dos funcionários do local.
“Estamos precisando urgentemente que a prefeitura solucione a situação da Casa Messe de Amor, localizada no bairro jardim Flórida. Teve um desmoronamento do telhado dentro de um quarto das crianças onde por pouco não acontece uma tragédia. O engenheiro orientou sair todo mundo, porque a ripa quebrou e pode acontecer um desmoronamento. As crianças vem de uma situação de vulnerabilidade e encontram um local perigoso por dentro e por fora”, declarou.
Ainda de acordo com a denúncia, todo o alicerce da instituição também está comprometido.
“Colocaram as crianças em um local para morar que não é uma casa, é aparentemente uma escola. Nesse lugar por dentro é totalmente aberto e recebe todos os resíduos da cozinha e dejetos dos banheiros. Todos banheiros estão com problemas, ligação de água precária e a energia é proveniente de ligação clandestina onde a todo momento tem quedas e oferecem riscos para as crianças. Todo o local precisa de manutenção pois foi somente pintado para mascarar os problemas”, acrescentou.
Já entramos em contato com a Secretaria de Desenvolvimento Social, Mulher e Diversidade em busca de esclarecimentos e aguardamos uma resposta.
Outra reclamação
Em dezembro de 2022, em contato com o Portal Preto no Branco, uma fonte que preferiu não ter a identidade divulgada, apontou diversos problemas na nova sede da Casa Messe de Amor, em Juazeiro, que acolhe crianças e adolescentes afastados de suas famílias por algum motivo. O prédio passou por uma reforma realizada pela gestão municipal e foi inaugurado no último dia 27 de outubro.
De acordo com a denúncia, as instalações da nova sede são de uma escola e não de um lar para as crianças e adolescentes acolhidos, como deveria ser a instituição.
“Ali não é uma casa, que fique bem claro. As novas instalações são de uma escola. Tudo novo realmente, paredes pintadinhas, mas a adaptação de uma escola para casa acredito não está dando muito certo, afinal escola eles já têm. O que eles precisariam é de um lar. Essas casas precisam ser planejadas, com mais espaços para acolher diferentes públicos, e como uma casa, cada qual no seu espaço”, avaliou na época.
Ainda segundo as informações, o local não tem quartos e banheiros suficientes para atender as 10 crianças e adolescentes abrigados na instituição.
“Apesar de muito bem equipado, com camas novas e todo mobiliado, são apenas dois quartos, separados por sexo. Meninos, meninas e berçários juntos. Nesse local deveriam ter planejado mais quartos, pois são crianças e adolescentes de idades diferentes. O espaço dos banheiros, também não foi planejado. Tem banheiro sem portas, em um espaço que tem meninos e meninas, de idades diferentes, sem preservar a intimidade de cada um. Além disso, também são apenas dois banheiros, para um público vasto. E detalhe: quando um está sendo usado, o outro fica impossibilitado, pois o local era uma escola e as crianças não tomavam banhavam a todo momento como em uma casa. Isso já acarretou esgotos estourados e a água podre espalha um fedor pelo parquinho. Nos dias de chuva, tudo ficou alagado, sem condições de transitar pela dita casa. Foi preciso quebrar algumas partes da parede para escoar a água, medidas emergenciais e provisórias como tudo vem sendo feito”, acrescentou.
Na época a fonte contou ainda que não houve planejamento para o fornecimento da energia elétrica para o prédio, o que está prejudicando o bem estar dos acolhidos.
“Apesar da estrutura ter diversos equipamentos de ar-condicionado, os mesmos não podem ser usados, pois a energia da casa vem de outro espaço, e não suporta a demanda. Ou seja, num calor desses da região, os meninos ficam no calor. Os acolhidos ficam circulando entre seus quartos e um parquinho de areia. Tem uma sala de brinquedos com aparelho de ar condicionado, mas permanece desligado, e assim fica inviável os pequenos ficarem por lá”, criticou.
Na ocasião nossa fonte finalizou cobrando instalações adequadas para a Casa Messe de Amor e fiscalização dos órgãos responsáveis.
“O local é bonito, porém não foi estruturado para acolhimento de crianças e adolescentes como casa. Quando se cobra novos lugares, novas instalações, não é só por beleza . É preciso pensar no dia a dia desses meninos e meninas. Hoje eles estão em uma linda escolinha, mas necessitam com urgência de um lar, onde possam ser acolhidos. Casas coloridas com equipamentos de verdade, funcionando. Entra gestão e sai gestão e é só maquiagem. Os órgãos fiscalizadores e de proteção a crianças e adolescente, como Conselhos Tutelar, Conselho Municipal, Ministério Público e Juizado da Infância e Juventude precisam cumprir seu papel e averiguar a estrutura da instituição”, concluiu.
Na época a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, Mulher e Diversidade em nota, falou da reestruturação do novo espaço e afirmou que “a requalificação do prédio próprio da Casa Messe de Amor estava em fase de elaboração de projeto e, em breve, deveria ser encaminhado para o processo licitatório”.
Confira nota na íntegra:
A Secretaria de Desenvolvimento Social, Mulher e Diversidade (Sedes) esclarece que a Casa Messe de Amor está funcionando em um espaço mais amplo que a sede anterior, com brinquedoteca, Smartv conectada à internet, dormitórios masculino e feminino, sala pedagógica onde os acolhidos têm aula de reforço, atividades de artes e oficinas. Dispõe de parque infantil, sala de reuniões e sala para administração, além de novo mobiliário. Todos os espaços foram visitados e validados pela Promotoria do Ministério Público, na área da infância. A Sedes informa ainda que a requalificação do prédio próprio da Casa Messe de Amor está em fase de elaboração de projeto e, em breve, deve ser encaminhado para o processo licitatório (Ascom).
Redação PNB



