Capacitismo: Responsáveis por alunos com deficiência cobram contratação de auxiliares nas escolas de Juazeiro e questionam: “Nossos filhos não podem estudar?”

0

 

Após diversas reclamações de responsáveis por alunos com deficiência, matriculados em escolas municipais de Juazeiro, no Norte da Bahia, sobre a  falta de Auxiliares de Atendimento Educacional Especializado suficiente para atender toda a demanda, a Secretaria de Educação e Juventude informou ao PNB que tratava-se de “uma situação isolada”, que já estava sendo sanada para garantir a oferta de AEE a partir desta terça-feira (07).

Porém, outras mães entraram em contato com a nossa redação, afirmando que os filhos continuam impossibilitadas de retornarem às salas de aula.

“Segundo a Seduc, os auxiliares estariam hoje nas escolas e alegou ser um caso isolado. Porém, hoje também não tinha nenhum profissional nas escolas, como o órgão havia prometido. Estamos revoltados com essa situação. Pagamos nossos impostos e nossos filhos não podem estudar? Queremos uma resposta positiva da Seduc”, declarou uma mãe.

A mãe de uma criança diagnosticada com o Transtorno do Espectro Autista, também entrou em contato com o PNB para cobrar a contratação imediata dos profissionais.

“Sou mãe de filho autista e moro aqui no povoado de Campos, distrito de Maniçoba. A escola que meu filho estuda está sem auxiliar de sala. Além dele tem mais sete crianças na mesma situação. Os laudos foram entregues na escola desde o ano passado, e a prefeitura só abriu o processo seletivo para contratação das profissionais agora. Nós sabemos que os autistas, por lei, têm direito a auxiliares. Então, a Secretaria de Educação tem o dever de disponibilizar o suporte desde o início das aulas. Precisamos de uma resposta rápida. Precisamos de auxiliares nas escolas. A gestão precisa fazer alguma coisa, contratar profissionais provisórios. Vamos correr atrás dos direitos dos nossos filhos”, declarou outra mãe de aluno.

Verônica, que também é mãe de um menino diagnóstico com o Transtorno do Espectro Autista criticou a situação em vídeos enviados ao PNB.

“Estou voltando para casa. Vim deixar Richard na Escola Caic, e a diretora mandou todas as crianças com deficiência voltarem para casa, porque a prefeitura não mandou nenhum auxiliar. Que bonito, né Suzana?! E aí, como é que fica a criança que ficou toda programada para vir para a escola? Foi um mês todo de adaptação para o retorno. Mudou a data para o dia 06, e foi outra adaptação. E agora, quando o menino chega na porta da escola, teve que voltar”, reclamou.

 

 

Estamos encaminhamos essas novas reclamação para a Seduc e aguardamos uma resposta.

Outras reclamações

Nessa segunda-feira (06), quando o ano letivo da rede municipal de Juazeiro teve início, outros responsáveis por alunos também entraram em contato com o PNB para reclamar da situação.

“As aulas começaram hoje e meu filhos não poderão participar, pois a prefeitura, pelo segundo ano consecutivo, não providenciou em tempo hábil, ou seja de dezembro a março, as auxiliares para as crianças. Inventaram um processo seletivo agora, ao qual os profissionais só serão chamados os selecionados no dia 30/03. E nesse meio tempo, o que vai acontecer com nossos filhos? Ficaram a margem mais uma vez, sem poderem assistirem as aulas? Quase um mês sem poder frequentar as escola? Os nossos filhos são incapazes, é isso que a prefeitura está dizendo, pois os estão deixando de lado mais uma vez”, reclamou uma mãe

Também em contato com o PNB, a irmã de duas crianças diagnosticadas com o Transtorno do Espectro Autista, também criticou a situação.

“Minha mãe foi até as escolas dos meus irmãos para se informar sobre as auxiliares dos meus dois irmãos, e foi informada que nenhum deles tem auxiliar ainda. Informaram que por não ter auxiliar, as escolas não tem suporte para ficar com eles, somente se alguém puder acompanhá-los. São 2 crianças autistas que estudam em escolas diferentes. Eu e meu padrasto trabalhamos, somente minha mãe fica em casa, mas nem sempre está disponível pois ela trabalha em casa. Como que vamos acompanhar eles? Impossível. Meus irmãos vão ficar sem ir à escola até quando? A matrícula foi feita na primeira semana de janeiro, e como que em 2 meses não conseguiram contratar as auxiliares?”, questionou.

Outra mãe de aluno cobrou a atuação do Ministério Público da Bahia no caso.

“Vai a perguntar: Quando se planeja o Carnaval, evento de grande porte, já começam a planejar três meses antes. E quando se trata de educação, e para crianças com deficiência, não tem planejamento ? Porque as matrículas foram renovadas em dezembro, com certeza a Seduc já tem uma noção da quantidade de alunos, e de quantos profissionais iria precisar. Fica a dica para a gestão pública : Pare de se preocupar reformar praça, e invista o orçamento público na educação e saúde, as crianças com deficiência precisam da socializam em escolas regulares. Parabéns aos gestores e coordenadores que tentam gerir essa situação. Sabemos que não depende de vocês, e sim da Seduc, e principalmente da Gestora Pública. Cadê nossos vereadores e nosso Ministério Público? Fiscalizem!”, declarou.

Na ocasião, encaminhamos a reclamação para a Secretaria de Educação e Juventude de Juazeiro. Em resposta, a Seduc informou que “a demanda em questão corresponde a uma situação isolada, que já está sendo sanada para garantir a oferta de AEE a partir desta terça-feira (07). A Seduc esclarece também que, todos os direitos subjetivos aos estudantes da rede municipal de ensino serão assegurados, atendendo todas as especificidades de assistência através dos auxiliares de Atendimento Educacional Especializado (AEE). Sempre transparente, a Seduc se coloca à disposição para sanar dúvidas, prestar apoio e realizar os devidos encaminhamentos necessários”.

 

Redação PNB

DEIXE UMA RESPOSTA

Comentar
Seu nome