O Portal Preto No Branco teve acesso a um vídeo que flagra um paciente do Hospital Psiquiátrico Nossa Senhora de Fátima, em Juazeiro, trancado no cadeado em um dos cômodos da instituição.
Segundo informações de nossas fontes, o fato aconteceu no dia 8 de janeiro deste ano e a denúncia foi registrada no Ministério Público, em Juazeiro.
O paciente de iniciais J. V. teria sido preso no cômodo por determinação da enfermeira plantonista.
“Mesmo os técnicos de enfermagem sendo contra este procedimento proibido pela política Nacional de saúde mental, tiveram que passar o cadeado, pois a enfermeira de plantão disse que tinha ordem da direção do hospital. Os técnicos foram obrigados porque havia esta determinação, alegando que o paciente estava agitado”, denunciou uma fonte.
O fato também foi comunicado ao Conselho Municipal de Saúde, com envio do vídeo.
“Até a data de hoje não fizeram nada. Eles no conselho têm várias denúncias de irregularidades que acontecem no hospital, mas não adotam providências”, completou a fonte.
Nós enviamos a denúncia para o Presidente do Conselho Municipal de Saúde, Irmão Robson, que disse desconhecer a situação, mas que amanhã (18) enviará uma comissão ao hospital para averiguar o caso.
Passados mais de 3 meses do flagrante, estamos também buscando esclarecimentos junto ao Ministério Público sobre as providências adotadas.
A direção do Hospital Psiquiátrico Nossa Senhora de Fátima não responde nossas mensagens e deixamos o espaço aberto para sua manifestação.
Nós ouvimos e mostramos o vídeo para a Assistente Social Emanuela Fonseca, que integra o movimento de Luta Antimanicomial na região.
Segundo o parecer da profissional a prática é “inaceitável e desumana”.
“Observa se nesse vídeo que a pessoa esta trancada, provavelmente como forma de castigar, disciplinar. Ele está destituído de todo e qualquer direito de ser tratado em sua singularidade. É desumano e inaceitável que pessoas continuem sendo internadas nesse local insalubre que não produz vida nem cuidado em saúde mental”, disse a Assistente Social.
A profissional continuou esclarecendo que “a reforma psiquiatra surge como denúncia ao modelo manicomial hospitalocêntrico, que segrega ,exclui e cronifica o sofrimento psíquico, de modo que não haja possibilidade de reintegração social, valorização das subjetividades dos sujeitos que ficam privados de liberdade, sofrendo abusos de varias ordens e agudizando as crises. A Lei 10.216 regulamenta o cuidado em saúde mental, assegurando o direito das pessoas com sofrimento psiquico de realizarem um tratamento territorial, como exemplo os serviços substitutivos dos CAPSs que têm como objetivo a reintegração ao convívio social, familiar e de trabalho. A razão de ser deste manicômio se dá por conta da fragilidade na rede de saúde mental do munícipio de Juazeiro.
Redação PNB



