Sempre Aos Domingos: “Overdose de Amor”, Por Sibelle Fonseca

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Neste domingo, dia 30 de abril, fechei um ciclo de intensas comemorações aos meus 56 anos. Na verdade, eu tenho mania de festa e no meu mês quatro então, celebro de diversas formas, com diversos núcleos de amigos, gosto de experimentar coisas novas, me desafiar, sem deixar de valorizar a rotina desta existência que digo, sem arrogância, tem valido muito a pena. Como tenho apreciado a colheita do que, a despeito do preço pago, vivo plantando desde que me entendo por gente. Não amealhei bens materiais, títulos, posses, coisas, luxo, nada disso nunca me encheu os olhos. Já pessoas e sentimentos, sempre me interessaram sobremaneira.

Dia de aniversário, na linguagem dos astros, é o momento em que o Sol volta ao exato ponto em que se encontrava no céu no dia em que nascemos. É quando, através desta revolução solar, podemos rever nossa história até então e descobrir do que e de quem precisaremos para a próxima volta ao Sol.

Faço isso sempre. Comemoro meu aniversário de 56 como comemorei o de 15, o de 33, de 45, 50 e todos os já vividos. Sem arrependimentos, sem rancores e muito menos sem nenhuma sensação de finitude. É necessidade de recomeço o que sinto. Reinicio tomando como ponto de partida a mim mesma. Reafirmando meu propósito de vida com as pessoas, pelas pessoas, para as pessoas. Sobretudo com os meus amigos. Dos mais próximos aos distantes. Os diários, os anônimos e os espirituais.

Os amigos nos salvam. Valem bem mais que dinheiro no banco, carro na garagem, casa de luxo, títulos, altos cargos. Que graça essas coisas teriam, sem eles? Casa bonita é casa enfeitada de bons amigos. Conquista boa é aquela que se compartilha. Pra quê um carrão, se o banco do passageiro nunca está ocupado?

Não posso e nem sei contar os amigos que tenho. Porque eles não são números, nem têm ordem de importância e significado na minha vida. Não tem o mais e o menos. O melhor nisso ou o pior naquilo.

Todos foram importantes demais em alguma fase da minha vida, em algum momento, em algum tempo, em algum lugar. E deixaram marcas. Ajudaram a construir a minha personalidade. A mulher que sou.

Dividi minha infância e adolescência com alguns que guardo até hoje na memória do coração. Vivi experiências fantásticas com outros tantos nas escolas por onde passei. Como foi bom desvendar o conhecimento com eles. As aventuras, a rebeldia e as descobertas.

Na minha trajetória profissional, outros mais se somaram e me acrescentaram tanto!

Nunca me faltou um amigo em nenhuma etapa da minha vida.

Eles sempre surgiram como anjos, mas não por acaso. Porque amizade não é feita ao acaso. Nem se faz por coincidência. Amizade é reencontro de almas. É encontro marcado pelo tempo. Tem que acontecer, nem que para isso você tenha que ir longe ou nunca partir, só para esperá-lo. E é preciso abrir o coração para reconhecer um amigo. Ver-se nele! Descobrir afinidades e diferenças e mesmo assim abrir-se! Porque não há nada melhor nessa vida do que ter amigos de verdade.

Claro que já me enganei com alguns, mas geralmente reconheço um amigo de cara. É bater o olho e pensar: Eu já conhecia essa pessoa de outras existências. Ela tem a ver comigo ou não tem nada a ver, mas mesmo assim meu coração alegra-se com a sua presença. Mesmo assim sinto-me segura ao seu lado. Estando com ela, sou mais feliz.

Tenho muitos amigos assim. Cada um do seu jeitinho, do seu jeitão.

Tenho amigos doces, mansos que acalmam a minha ansiedade. Tenho amigos mais agressivos, fortes, que me jogam lá para o alto quando desanimo e preciso ouvir o que não quero. Tenho amigos que me dão colo e afagos em palavras e gestos.

Os que dizem o que eu gostaria de ouvir exatamente no momento em que estou precisando E os que me criticam e me fazem repensar algumas atitudes equivocadas.

Tenho amigos que me dão ombro, mão estendida e sei que também dão um braço por mim se eu precisar.

Tenho amigos que choram comigo, mas fazem de tudo para que eu enxugue logo as lágrimas.

Tenho amigos atenciosos, dispersos, superlativos, tímidos, barulhentos, silenciosos … Amigos ouvintes, amigos falantes … tão lindos!

Tenho amigos que se entregam a uma gargalhada comigo, por qualquer motivo bobo.

Tenho os que ficam até mais felizes do que eu, quando conquisto alguma coisa ou me dou bem.

Tenho amigos tão confiáveis que posso abrir uma sociedade com eles, emprestar dinheiro, pedir dinheiro emprestado, desnudar minha alma, entregar meus segredos mais íntimos e confessar meus instintos mais pecaminosos.

Tenho amigos para todas as ocasiões.

Amigos para dividir um pão com ovo, uma bebida quente, um café amargo, um brigadeiro sem culpa, uma luta, uma bandeira, um tempo bom, um tempo ruim. Os que torcem por mim e me colocam nas suas preces diárias. Os que me abrem as portas de casa e do coração. Os que mesmo longe, estão perto. Os que de perto, me dão manto e acalanto.

Tenho amigos que já se foram e ficaram ainda mais presentes em mim. Aqueles cuja ausência dói tanto, mas sinto conforto em saber que irei reencontrá-los, um dia. Do alto, sei que vibram por mim!

Meus amigos todos, são amigos de verdade. Os da infância, da adolescência, da escola, do ofício, do bar, do confessionário, da música, do rádio, da poesia, da noite, do dia. Velhos amigos. Novos amigos.

Eu tenho um patrimônio incontável de amigas e amigos. Afetos verdadeiros e essencias.

Estes dias recebi tanto amor, mas tanto amor, que reafirmo o que preciso para este novo ciclo solar. É deles que preciso. É delas que necessito. Dos meus amigos e amigas. Preciso das pessoas para transcender e existir. Que venham mais pessoas para que eu possa me doar. Que venham mais pessoas com suas doações. Vida é troca despretensiosa. É esse eterno plantar e colher.

Em overdose de amor, quero aproveitar para agradecer as mil e umas manifestações de carinho e vibrações de felicidade neste 30 de abril. Em forma de orquídea, surpresas, cheiros, posts, abraços, orações … Eu sou feliz demais em tê-los!

E vamos abraçar o Rei Sol. Do nascer ao crepúsculo, vamos abrir os braços para a delícia de viver contando os anos daqui pra frente!

Sibelle Fonseca é radialista, militante do jornalismo, pedagoga, feminista, mãe de nove filhos, sendo 5 de 4 patas, cantora nas horas mais prazerosas, defensora dos direitos humanos e animais, uma amante da vida e de gente.

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