Mães e responsáveis por alunos com deficiência, matriculados em escolas da rede municipal de Juazeiro, no Norte da Bahia, seguem reclamando da falta de profissionais auxiliares de Atendimento Educacional Especializado (AEE) , condição necessária para que os alunos frequentem as aulas.
Nesta quarta-feira (03), o PNB foi procurado por a mãe de um aluno da Escola Professora Maria Mazzarelo, no João Paulo II. De acordo com ela, o filho está sendo liberado antes do final das aulas, devido a falta de auxiliares suficientes para atender toda a demanda.
“Nos prometeram uma escola de tempo integral, e não cumpriram a promessa. Por falta de auxiliares nossos filhos estão sendo liberados às 11h30. A direção nos pede que aguardemos, pois a Secretaria de Educação ainda não mandou as auxiliares. Existem pais que trabalham e não teve a opção de escolher o turno que a criança poderia ficar na escola, já que era tempo integral. Mas na verdade, as crianças com deficiência só estão ficando na escola no turno matutino. Tenho outros filhos na rede municipal, que estudam em horário oposto e ficou muito complicado a situação. Se não podiam nos dar a escola integral como prometido, por que não voltam atrás e nos dão o direito da escolha do horário que nossos filhos devem estudar?”, questionou.
A mãe perguntou ainda quando os profissionais que participaram do processo seletivo serão convocados.
“Porque ainda não estão na ativa? Já estamos estamos quase no meio do ano e nenhuma providência. Por sinal, na Escola Professora Maria Mazzarelo, as aulas começaram com atraso por conta de uma reforma. Os alunos só voltaram para as salas de aula ni dia 14 de março. Pensamos que nossos filhos estariam correndo atrás do prejuízo, causado pela pandemia, já que a escola é referência no bairro para séries iniciais, mas nos venderam gato por lebre. Fico triste, com a forma que a Secretaria de Educação vem tratando a educação dos nossos filhos”, acrescentou.
Nessa terça-feira (02), Marlene Ribeiro, mãe de um menino com Espectro Autista, também reclamou da falta de auxiliares de AEE nas escolas municipais de Juazeiro.
“Gostaria de fazer uma reclamação sobre a falta de profissionais auxiliares, AEE. Eu obtive a informação hoje, de que não tem previsão de quando serão chamados mais auxiliares. Na escola que é para o meu filho estudar, atualmente só tem uma profissional. Porém, lá tem aproximadamente 16 crianças com deficiência matriculadas, ou seja, a escola deve ter no mínimo 8 auxiliares. A prefeitura de Juazeiro não dá nenhuma posição de quando irá chamar esses outros auxiliares para atender nossas crianças. Já estamos chegando no mês de junho, mês de recesso, e tanto meu filho, como outras crianças, vão perder metade do ano letivo por irresponsabilidade da prefeitura. Inicialmente a previsão que deram para a contratação dos auxiliares era 30 de março, mas já estamos no dia 02 de maio e nada. Por isso eu queria pedir que a Prefeitura de Juazeiro se manifestasse e resolvesse a situação. Eu sou uma mãe atípica, que assim como outras, estou sofrendo justamente pela exclusão do meu filho. Até pela prefeitura, que era um órgão que deveria dar apoio, mas na verdade está fazendo pouco caso da situação. Se não resolverem a situação, eu vou procurar os meus direitos e os direitos do meu filho. Eu não vou deixar ele fora da sala de aula, sabendo que a prefeitura tem a obrigação de contratar auxiliares, antes mesmo das aulas começarem. As crianças com deficiência estão em casa, pois as escolas não aceitam que eles frequentem as aulas, sem auxiliar. Isso é inadmissível”, desabafou a mãe.
Encaminhamos as reclamações para a Secretaria de Educação e Juventude de Juazeiro. Em resposta, a Seduc informou que “nesta quarta-feira (3), será publicado no Diário Oficial, uma nova convocação do Processo Seletivo, onde 90 profissionais auxiliares de AEE devem ser contratados para exercer suas funções, atendendo a demanda da rede municipal de ensino. A Seduc destaca ainda que essa já e a terceira convocação e contratação de profissionais de AEE somente este ano e segue trabalhando para garantir a toda comunidade estudantil da rede municipal uma educação inclusiva e de excelência”.



