Foi sepultado no final da tarde desta segunda-feira (28), o corpo de José William dos Santos Barros, 27 anos, morto ontem (27) durante uma ação policial na comunidade quilombola de Alagadiço, distrito do Salitre, em Juazeiro, no Norte da Bahia.
O velório e o sepultamento do jovem foram marcados por muita emoção, homenagens e pedidos por justiça.

Wiliam trabalhava no aterro sanitário de Juazeiro e era pai de uma criança de 3 anos.
Em nota, a Comunidade Quilombola de Alagadiço acusou a PM de ter atirado na vítima e repudiou a ação policial pelo “uso excessivo de força, preconceito racial e discriminação por parte das autoridades que deveriam proteger todos os cidadãos.”
Entidades ligadas ao movimento negro emitiram uma nota de “Dor, Luto e Revolta pela morte de mais um jovem negro quilombola.”
Em nota enviada ao Portal Preto no Branco nesta segunda-feira (28), a Polícia Militar da Bahia se manifestou sobre a morte do jovem e alegou que William foi atingido por disparos de arma de fogo durante um confronto, e que foi encontrado um revólver calibre 38 com seis munições em posse da vítima.
Porém, em entrevista ao PNB, uma testemunha que estava com José Willian durante a ação, contesta a versão da PM. De acordo com ela, que preferiu não ser identificada, a vítima estava desarmada e foi atingida pelas costas enquanto pilotava uma motocicleta.
“Nós estávamos na pista fazendo o que a gente mais gostava, que era empinar moto. Era o nosso lazer e a gente praticava sempre respeitando a passagens dos carros. Ontem as viaturas passaram por nós e quando voltaram, mandaram Willian parar a moto e já foram atirando. William estava pilotando a moto, em momento algum ele disparou contra as viaturas. Ele não tinha arma, nem drogas. Era um trabalhador querido na comunidade”, contou.
A testemunha disse ainda que os policiais demoraram a prestar socorro ao jovem, que segundo ela, foi levado ao hospital já sem vida.
“Eles se preocuparam em recolher as capsulas das balas que ficaram no local. Quando vieram pegar Willian, ele já estavam morto. Só pegaram o corpo dele e jogaram na viatura de qualquer jeito. Nem sequer informaram para onde estavam levando ele. Somente após 1 hora de relógio foi que a família encontrou ele no Hospital Regional”, acrescentou.
A testemunha finalizou ressaltando que Willian era um jovem trabalhador, com um filho pequeno para criar.
“Ele era um rapaz bom, que sempre trabalhou e nunca se envolveu com coisas erradas. A gente gostava de empinar moto, mas isso não é crime. Ele tem um filho pequeno que acabou de completar 4 anos, que agora vai ficar sem o pai. Nós só queremos justiça”, cobrou.
Redação PNB



