Na luta para receberem os salários atrasados há 4 meses, funcionários do Hospital Promatre, em Juazeiro, passam por sérias dificuldades financeiras e o problema já problema afeta suas famílias.
Um familiar de uma trabalhadora enviou ao PNB um desabafo, expressando sua revolta com a situação e relatando que o atraso afetou o orçamento doméstico. Além disso, ele denuncia o tratamento hostil que os funcionários vem recebendo dos gestores da instituição hospitalar. Segundo ele, alguns funcionários receberam seus salários e outros estão “a ver navios” e ainda são alvos de piadas.
“Pelo amor de Deus nos ajude. Minha esposa trabalha naquela bendita Promatre. São 4 meses sem receber e ainda ter que assistir os “mais favorecidos” receberem na sua frente e ficar a ver navios. Pessoas como as técnicas, enfermeiras que precisam, não ganham tanto e que sustentam suas famílias, a minha esposa é uma delas. Já não come direito, não dorme, não me trata bem, vem passando por momentos difíceis lá dentro. Eles não tratam bem os funcionários, jogam piadas. Estou há 4 meses pagando as contas da minha esposa e tendo que destampar um buraco para cobrir outro. Injustiça esse é o nome, enquanto diretores, administradores e os demais lá de cima já receberam, estão curtindo férias e gozando da cara dos funcionários, falam que vão emprestar dinheiro a juros numa tentativa de tirar sarro dos que não receberam ainda,” contou.
O familiar concluiu: “Tem gente passando necessidade. Um absurdo, inaceitável. Eles depositam quantias que não pagam nem um aluguel e ironizam falando que o restante vai cair quando Deus quiser. Quatro salários atrasados, sofrendo, e ainda ter que escutar piada de financeiro, de quem deveria está lutando, trabalhando para acertar as contas, ” analisou.
A Promatre não tem respondido nossas solicitações por uma nota de esclarecimento sobre a situação.
Novamente estamos encaminhando a denúncia para a Gerência do Trabalho e Emprego, em Juazeiro.
No dia 16 de agosto, nós enviamos as reclamações para a Gerência do Trabalho e Emprego em Juazeiro. Em resposta ao Portal Preto No Branco, o órgão informou que “a demanda já se encontra em fase de programação para fiscalização, recebendo, a seu tempo, a devida prioridade, ponderando a gravidade da situação denunciada”.
Confira nota na íntegra:
Com relação às denúncias apresentadas por trabalhadores do Hospital Pro Matre de Juazeiro referentes a atrasos de salários e outras questões de natureza trabalhista, informamos que a demanda já se encontra em fase de programação para fiscalização, recebendo, a seu tempo, a devida prioridade, ponderando a gravidade da situação denunciada.
Reforçamos que, nos últimos cinco anos, o Hospital Pro Matre de Juazeiro tem passado por reiterados procedimentos de ação fiscal que resultaram na lavratura de vinte e sete autos de infração relativos a atrasos de salários, pagamento de férias, décimo terceiro salário, verbas rescisórias, saúde e segurança no trabalho entre outros; além da lavratura de documentos fiscais referentes a não recolhimentos ao FGTS que totalizaram quase quatro milhões de reais em débito notificado.
Destacamos ainda que a competência da Auditoria-Fiscal do Ministério do Trabalho exaure-se na aplicação das sanções administrativas quando o empregador não providencia as devidas regularizações, não dispondo de qualquer meio para ingressar na esfera patrimonial do fiscalizado e compelir o cumprimento das obrigações; situação em que devem ser acionados outros órgãos que integram o sistema de proteção ao trabalhador, como Sindicatos e Ministério Público do Trabalho, competentes para representação judicial.
Permanecemos à disposição para qualquer esclarecimento.
Edésia Barros/ Gerente Regional do Trabalho em Juazeiro/BA
Cynthia Carvalho/ Chefe do Setor de Fiscalização do Trabalho em Juazeiro/BA
Redação PNB



