Após participar de operação no Conjunto Penal de Juazeiro, Policial Penal faz duras críticas a estrutura e a gestão da unidade: “Uma estrutura acabada”

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“Uma grande surpresa negativa”, essa foi a avaliação feita pelo Policial Penal Falcão,  sobre o Conjunto Penal de Juazeiro, no Norte da Bahia.

Ele esteve pela primeira vez na unidade na semana passada para participar da Operação Mute, da Secretaria Nacional de Políticas Penais, em conjunto com a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária e apoio da Polícia Militar. Durante o Podcast Prosa de Cadeia, o host Falcão chamou atenção para a precariedade da estrutura do CPJ.

“É uma das mais antigas Unidades Prisionais da Bahia, que funciona com uma cogestão, e o que mais me assombrou foi a estrutura. Uma estrutura acabada. O gestor de uma unidade  de cogestão tem por obrigação fiscalizar a empresa cogestora para que toda manutenção, toda questão estrutural, sejam mantidas no contrato”, declarou.

O Policial Penal também fez duras críticas ao diretor do CPJ, que está no cargo há mais de 16 anos, sendo o mais longevo em um cargo de indicação no Brasil.

“Me causou estranheza uma operação da magnitude que foi, porque a gente teve participação de Policiais Penais do ordinário, Policiais Penais GSI, Policiais Penais do CMPE, Policiais Penais do GEOP, além da própria CIPE Caatinga, que nos deu apoio, e a participação da Secretaria Nacional de Políticas Penais, e eu não vi a cara do diretor. Ele apareceu só em um momento para cumprimentar quem estava na coordenando da operação e depois sumiu”, criticou.

Falcão lembrou ainda que, durante a Operação Mute, onde os Policiais Penais realizaram revistas, entre outras ações na unidade, as visitas não foram suspensas.

“Enquanto a gente estava operando, ele se quer suspendeu as visitas. A unidade sob intervenção e as visitas transitando dentro da unidade, ou seja, colocando em vulnerabilidade também os visitantes. Uma irresponsabilidade muito grande. Eu realmente fiquei muito decepcionado”, acrescentou.

Ainda durante o Podcast, que contou com a presença do Presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários da Bahia, Falcão também criticou a alimentação servida na unidade.

Em tomo de ironia ele comentou: “Na intervenção a gente estava tomando suco radioativo de chernobyl  lá em Juazeiro. Eu tenho certeza absoluta que no contrato não contempla Ki-suco”, declarou.

Veja as declarações na íntegra:

O PNB conversou com o policial Falcão, nesta quarta-feira (25) e ele reiterou sua decepção com a estrutura e gestão do CPJ, cujo diretor é Manoel Tadeu Serafim.

“Sentimos uma certa insatisfação por nós, integrantes da operação, estarmos lá na unidade realizando a operação. Pareceu até que o CPJ é uma ilha e a unidade prisional é do gestor e não do Estado da Bahia,” comentou Falcão.

O Policial Penal acrescentou: “A luta de nossa categoria é para que as unidades prisionais sejam geridas por técnicos, ou seja, por policiais penais. Estes cargos devem ser ocupados por policiais penais de carreira. Atualmente, a maioria das unidades da Bahia já tem como gestor, um policial penal. A unidade de Juazeiro é uma das únicas que o gestor é alguém de fora da nossa instituição, que por sinal é um engenheiro agrônomo. Os políticos que detém os cargos devem indicar técnicos, gente de dentro da Polícia Penal,” finalizou.

O PNB está fazendo contato com a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária da Bahia.

Redação PNB

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