Internado desde a última sexta-feira (8) na Unidade de Pronto Atendimento de Juazeiro, após sofrer um trauma cerebral, José Sebastião Vieira, 79 anos, necessita urgente de uma transferência para uma unidade especializada.
A família do idoso acusa a UPA de negligência e afirma que a unidade não está oferecendo o suporte devido ao paciente.
Em contato com o PNB, a neta do idoso, Joyce Vieira, contou que até o momento nenhum médico neurologista chegou a consultar o idoso. Ela criticou ainda a assistência prestada a família.
“Está aqui na UPA sem nenhum suporte, sem UTI, sem transferência. De sexta pra cá ele não passou por nenhum neurologista, só fez uma tomografia no sábado a noite e não teve nenhum médico que viesse olhar esse exame. Até então está sendo mantido intubado, com aparelhos e a família transtornada. Todos estão aqui e sendo destratados. Uma médica chegou para a filha dele e disse que ele tinha tido morte cerebral sem ter feito nenhum exame. A família está sofrendo demais. Não tem nenhum assistente social que venha falar com a família, que dê um suporte. A equipe é totalmente descapacitada, relatou Joyce.
Ela denunciou também que no domingo (10) não havia um médico na unidade.
“Ontem só tinham estudantes de medicina. Procurei um médico para falar comigo e só tinham estudantes que falaram que não podiam nem assinar nada. É revoltante! A gente precisa tirar ele daqui para outro hospital ou mesmo que seja pra velar,” disse a neta do idoso.
Ontem nos procuramos a Secretaria que Saúde de Juazeiro que afirmou ter inserido o paciente no sistema da CRIL deste a última sexta-feira (8), quando ele deu entrada na UPA. No entanto, a família afirma que “não estão atualizando os dados no sistema.”
“Entramos em contato com o pessoal da regulação e disseram que no sistema não constam os dados dele, não estão atualizando esse pedido de regulação,” afirmou a neta que concluiu: “A história que a gente escuta aqui é a mesma, ou seja, que a gente precisa de um político. Achei que ele precisasse de um neurologista, mas a história aqui é só essa, a de que ele precisa de um político pra conseguir a vaga na UTI,” finalizou Joyce.
Também neste domingo, outra neta do idoso, Jéssica Cardoso, procurou o PNB para relatar o sofrimento que a família vem passando para conseguir a transferência: “A UPA não é habilitada para atender casos dessa procedência. Ele foi recebido na unidade primeiramente porque estava com quadro de insuficiência respiratória e estava parando, mas após ser estabilizado, ele precisava ser regulado para uma unidade hospitalar especializada. Porém, nos disseram que não há vaga nem profissional da área disponível na região. Depois nos disseram que pra ser recebido pelo HU ele precisava passar por uma tomografia. Meu avô foi encaminhado para fazer a tomografia 30hrs depois da entrada dele aqui na UPA e agora estamos aqui sem saber a real condição dele. Não temos nenhuma expectativa de que ele seja transferido ou avaliado. A secretária nos respondeu que a UPA não está habilitada para fazer os exames necessários a respeito da condição cerebral dele e seguimos nessa situação,” relatou Jessica Cardoso, neta do idoso.
Jéssica contou ainda que a família chegou a ser informada de que o paciente teria ido a óbito, mas logo depois a equipe da unidade deu outra informação.
“Ontem no boletim da manhã a médica disse que ele estava com quadro de morte encefálica. Mais tarde ela negou que tivesse dado essa informação. Precisamos saber a real situação dele e que providenciem a a transferência,” disse a neta.
Procurada pelo PNB, a Secretaria Municipal de Saúde disse que “todos os esforços estão sendo realizados pela equipe da UPA para manter o paciente estável até a regulação, que é de responsabilidade do estado por meio da Central de Regulação Interestadual de Leitos ( CRIL). O paciente citado foi inserido no sistema da CRIL deste a última sexta-feira (8), quando deu entrada na UPA. O neurologista da rede municipal só pode avaliar o paciente com todos os exames que compõem o protocolo para identificar complicações neurológicas, e o município não está habilitado a fazer esses exames de alta complexidade. O paciente continua sendo assistido pela UPA que não declarou e nem tem suporte para declarar a morte encefálica, aguardando a regulação do paciente.”
Redação PNB



