Em carta conjunta enviada ao Portal Preto no Branco, um grupo de funcionários do Hospital Regional de Juazeiro, Norte da Bahia, fez uma série de denúncias contra a gestão da unidade. Eles relatam supostos abusos e hostilização praticados por coordenadores da unidade, atualmente gerida pela Osid- Obras Sócias Irmã Dulce, não pagamento do piso da enfermagem, desvio de função, entre outras reclamações
Além disso, afirmam que estão faltando diversos medicamentos na unidade, e alguns equipamentos estão quebrados. O grupo diz ainda que as denúncias já foram protocoladas no Ministério Público do Trabalho, porém, até o momento nenhuma providência foi adotada.
Confira carta
Os funcionários do Hospital Regional de Juazeiro– BA vem através dessa carta conjunta encaminhar uma série de denúncias que vem ocorrendo dentro da unidade hospitalar.
Em 2020 quando a OSID (Obras Sócias Irmã Dulce) assumiu a gestão do Hospital Regional de Juazeiro, eles foram informados sobre o perigo de manter coordenadores da antiga gestão retirada após operação da Polícia Federal. Ao manter as coordenações, a OSID manteve algumas chefias que gostam de perseguir, humilhar e praticar assédio moral.
Não é de agora que colaboradores vem denunciando esses tipos de abusos praticados
dentro da unidade. Inclusive, existem várias denúncias relatadas no canal da empresa, o Compliance, que não funciona, pois nunca vimos resultado algum.
Grande parte dos colaboradores vem adoecendo, alguns com crises de ansiedade
severa. A direção da empresa, em Salvador, não toma quaisquer providências. Os
relatos de abuso de poder são aterrorizantes, principalmente praticados por chefias que mesmo com tantos erros e denúncias são protegidas e recebem apoio e orientação da líder geral da enfermagem para continuar com os abusos.
Estamos sendo comandados por uma líder geral da enfermagem que tem comportamento arrogante, abusivo e mais manda no hospital do que a própria diretora e a vice, que passa por cima de tudo e de todos. A seleção de funcionários é tudo sobre critérios dela, não importa currículo, pois se não tiver peixada não entra. A prova é tanto que antigamente blogs da região divulgavam as seleções e os aprovados para contratação, algo que não existe mais.
Gritos com funcionários em corredores, humilhação na frente de colegas, vários
desvios de função, favorecimentos e tudo dão advertência, mesmo o colaborador
estando certo. Tudo isso vindo de pessoas que não são capacitadas para gerir pessoas.
O piso salarial da enfermagem não se dá nenhuma satisfação e quando as funcionárias
questionam são perseguidas, até mesmo demitidas. A realidade é que estão fazendo a
enfermagem de palhaça. Pessoas que deram a vida na pandemia, muitos colegas que
se foram nessa luta, não são reconhecidos.
Falta repouso para as equipes e algumas coordenadoras dizem que estão sempre ‘de olho’, vigiando pelas câmeras. Os funcionários trabalham amedrontados com tantas ameaças e isso é humilhante! Fazem do hospital uma verdadeira casa de reality. Usam a imagem de Santa Dulce para esconder as coisas erradas que aqui são cometidas.
Com a notícia recente da abertura da licitação, ficamos um pouco aliviados e na esperança de que, caso troque a gestora do hospital, também se troque essas coordenações.
Vale salientar que, após o anúncio da licitação da unidade começaram a faltar medicamentos diversos, alguns equipamentos, por exemplo, o de aferir pressão, estão
quebrados. Os insumos que estão vindo são de péssima qualidade.
Já fizermos várias denúncias no MPT (Ministério Público do Trabalho), colheram nossos depoimentos e nada foi feito. Estamos jogados as leoas sem saber a quem recorrermos.
Mas é importante que a população juazeirense saiba o que ocorre dentro do Hospital
Regional de Juazeiro.
Não assinamos a carta por medo de represálias”.
Encaminhamos as reclamações para o HRJ e para o MPT de Juazeiro e aguardamos as respostas.
Em nota, o MPT informou que “recebeu denúncias sobre os problemas relatados, além de outras questões trabalhistas. Um inquérito civil foi instaurado e o órgão está ouvindo testemunhas e reunindo provas. O MPT segue em busca do cumprimento das leis trabalhistas, em busca da Justiça e à disposição da sociedade.
O órgão funciona em Juazeiro na Rua Largo Alegre, no bairro João XXIII e atende de segunda a sexta, das 9h às 15h. No local, são realizadas audiências, são ouvidas testemunhas e analisados documentos solicitados às empresas investigadas.
Além de receber denúncias, o órgão atua também como mediador de conflitos trabalhistas sempre que solicitado e na promoção de políticas públicas em prol do trabalho digno para todas as pessoas. Os serviços oferecidos presencialmente também podem ser acessados pelo portal prt5.mpt.mp.br”.
Redação PNB



