Anthony, um estudante do curso de Direito na Universidade Estadual da Bahia (UNEB) – Campus Juazeiro, entrou em contato com o Preto no Branco nesta quinta-feira (27) para compartilhar uma denúncia sobre a falta de adaptações pedagógicas durante o seu tratamento de Saúde Mental.
Segundo o estudante, ele precisou se afastar das aulas por 15 dias, no meio do semestre, devido a problemas graves de saúde mental: “Apresentei um atestado médico e fiz um requerimento solicitando adaptações pedagógicas, acompanhamento dos professores e atividades domiciliares, conforme estabelecido pela Lei nº 13.146/2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência).”
Ao retornar às aulas, Anthony disse que se deparou com a total ausência de apoio e adaptações. “Fui obrigado a realizar as mesmas provas que meus colegas que frequentaram as aulas presenciais, sem qualquer consideração pelas minhas necessidades específicas e sem apoio da universidade. Isso causou um grande estresse e agravou minha condição de saúde mental”, disse Anthony.
“Infelizmente, essa situação me levou a afastar-me novamente, desta vez por 60 dias, conforme atestado médico. Durante esse período, a UNEB continuou a mostrar negligência e falta de respeito pelos meus direitos. As poucas respostas aos meus requerimentos foram confusas e contraditórias, e só recebi um despacho oficial dia 25 desse mês, mesmo tendo formalizado o pedido no mês passado. Com o semestre acadêmico terminando no dia 12 do próximo mês, não tenho tempo hábil para me adaptar e realizar todas as provas e atividades sem o suporte adequado dos professores. Além disso, desde o início do curso, essas situações de negligência e falta de adaptação têm sido recorrentes, todos sabem da minha condição, entrego relatórios médicos e psicológicos, mas nunca sou atendido. Já perdi uma disciplina por conta desses problemas, o que impactou diretamente meu desempenho acadêmico e minha saúde emocional. Diante desse cenário, sinto-me pressionado a abandonar meu tratamento médico e retornar às aulas presenciais sem a preparação necessária. Isso é desumano e um total desrespeito aos direitos das pessoas com deficiência. A falta de suporte adequado também resultou no agravamento de fobia social, ao qual já sou diagnóstico e tive pioras no ambiente acadêmico”, relatou o estudante.
O discente concluiu seu relato ressaltando a intervenção de uma agremiação estudantil.
“Foi apenas após a mobilização do CADDI, que representa os alunos do curso, que as adaptações começaram a ser implementadas. Sou grato ao CADDI pela intervenção e apoio, mas essa situação nunca deveria ter chegado a esse ponto. Espero que este relato ajude a sensibilizar a comunidade acadêmica e as autoridades competentes sobre a importância da acessibilidade e do cumprimento dos direitos das pessoas com deficiência. Todos merecemos uma educação inclusiva e de qualidade”, finalizou o estudante.
Redação PNB



