As cesáreas foram retomadas no Hospital Materno Infantil de Juazeiro, na região Norte da Bahia, após dias de suspensão. A informação foi enviada ao Portal Preto no Branco nesta sexta-feira (15), pela Secretaria de Saúde.
Os procedimentos cirúrgicos estavam suspensos desde o último dia 06, após o único foco cirúrgico existente na maternidade parar de funcionar. Conforme a SESAU, “o equipamento necessário para a realização de cirurgia cesariana já foi substituído e a situação normalizada”.
Reclamações
A suspensão dos partos cesários no Hospital Materno Infantil de Juazeiro, na região Norte da Bahia, por falta de foco cirúrgico não afetou apenas a assistência das gestantes do município. Uma das consequências da falta de equipamentos na maternidade foi a superlotação do Hospital Dom Malan, em Petrolina, que nos últimos dias recebeu muitas pacientes transferidas da maternidade do município baiano.
Em contato com o Portal Preto no Branco nessa quinta-feira (1),) o companheiro de uma gestante que estava no HDM aguardando por uma cesária, relatou que a situação era de calamidade.
“É inadmissível o que as gestantes estão enfrentando nos últimos dias por conta da irresponsabilidade da prefeitura de Juazeiro. Minha esposa não tem condições de ter um parto normal e, após horas de espera na maternidade de Juazeiro, teve que ser transferida para Petrolina. Isso aconteceu porque as cirurgias estão suspensas na maternidade de Juazeiro por falta de equipamentos. Uma vergonha. Chegando aqui no Dom Malan nos deparamos com um hospital superlotado, com muitas gestantes vindo da maternidade de Juazeiro e aguardando pela cesárea. Não sabemos quando o parto da minha esposa será feito e tudo isso gera uma grande aflição. O que está acontecendo é um verdadeiro estado de calamidade”, avaliou na ocasião.
Também em contato com o PNB, a mãe de uma gestante que também foi transferida do HMI de Juazeiro para o HDM de Petrolina reclamou da superlotação e da incerteza sobre quando o parto da filha seria realizado.
“Minha filha está com 41 semanas de gestação e deu entrada na maternidade de Juazeiro às 8h da manhã da terça-feira (12). Mas, como a bebê dela está com 4kg, ela tem que passar por uma cesária. Como na maternidade de Juazeiro não está fazendo, ela foi transferida para o Hospital Dom Malan na terça à tarde e disseram que iam fazer a cesariana, mas até hoje nada. Ontem, chegaram a preparar ela, dizendo que a cesária seria feira à noite, mas quando foi às 20h disseram que iam quebrar o jejum dela, pois o parto só seria feito hoje pela manhã. Às 5 horas da manhã já prepararam ela de novo, mas até agora nada. Ela está até agora com fome. Fui à assistente social e ela falou que não sabe a hora que podem fazer o cesáreo dela, porque tem muitas gestantes aguardando por uma cesária. Uma humilhação”, declarou.
Carta aberta
Em carta aberta enviada ao PNB ontem (14), obstetras da Maternidade de Juazeiro revelam situação da unidade e denunciam precarização do serviço: “Nos sensibilizamos e compartilhamos da indignação”.
Confira
Juazeiro, 14 de novembro de 2024
Nós, médicos da Maternidade Municipal de Juazeiro da Bahia, antes de tudo, servidores
da população do nosso município e da nossa região, vimos por meio deste solicitar providências para garantir condições adequadas de trabalho em nossa maternidade, para podermos atender adequadamente as famílias que recebem a nossa assistência.
Há algum tempo temos convivido com limitações de várias formas e que foram amplificadas na última quinta-feira, dia 7 de novembro, quando queimou o único foco cirúrgico das salas de cirurgia (o qual já funcionava em condições precárias).
Assim, as cesáreas ou outras cirurgias de porte similar deixaram de ser realizadas na maternidade, porque o foco é utilizado para iluminar o local que está sendo operado. Nas condições atuais, sem o foco, a alternativa seria os médicos operarem literalmente “no escuro”, aumentando o risco de erros e complicações para as pacientes, o que é totalmente inadmissível e obviamente contrário aos princípios da prática médica.
Por conta desta situação, muitas pacientes, que poderiam ser atendidas na maternidade de Juazeiro estão sendo transferidas para outros serviços, os quais também se encontram superlotados.
Ressaltamos que a Maternidade Municipal de Juazeiro tem 2 salas cirúrgicas, mas apenas 1 delas vinha funcionando com um foco cirúrgico (sobre o qual repetimos, já não iluminava adequadamente).
Além disso, não há na maternidade um bisturi elétrico, o que é um recurso importante para diminuir o risco de complicações cirúrgicas.
Nosso propósito com essa mensagem aberta é sensibilizar a gestão para que esta encontre uma saída emergencial para esse cenário precarizado e reafirmar à população que nós, profissionais médicos, nos sensibilizamos e compartilhamos da indignação que aflora de modo justo, quando esta população não encontra os recursos mínimos que deveriam ser
disponibilizados em um equipamento público de tamanha relevância.
Atenciosamente
Médicos Obstetras da Maternidade Municipal de Juazeiro
Redação PNB



