‘Arrastados ou Reassentados? A memória ferida de Barra do Tarrachil” – Por Tércio Tolentino”

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Arrastados ou reassentados? compartilhando a experiência traumática da construção da Barragem de Itaparica e o impacto que teve na comunidade de Barra do Tarrachil. A distinção entre “arrastados” e “reassentados” é importante, pois reflete a diferença no tratamento e no destino das comunidades afetadas.

Descrevo a sensação de perda e desorientação ao chegar ao novo local de Barra do Tarrachil e não reconhecer mais a cidade era o ano de 88 , dia de São João, não sabia mais nada, inclusive a casa da minha mãe, tinha 11 anos e me senti na guerra mesmo sem ouvir o tiro no canhão, minha Cidade tinha sido destruída.

Perdemos a memória afetiva e identidade da comunidade com o deslocamento da Cidade, os costumes mudaram, as brincadeiras no Rio deixaram de existir até o nego d Água morreu.

Lembro de um senhor alto, branco e nobre que morava no Rosário e tocou meu coração qd ele me mostrou a profundidade do impacto da mudança na vida dele, pois, falava que não conseguia fazer mais nada sozinho, a rua era diferente, o endereço não era o mesmo até a forma de fazer as necessidades mudou, com pouco tempo morreu com uma depressa invisível, a saudade do seu lugar.

A perda da comunidade é irreparável e a identidade foi alterada, afetou especialmente os idosos e muitos se foram com o coração partido e viram histórias e memórias seres arrastadas p o esquecimento pelas águas turvas do nosso amado Rio.

Destaco a importância de cumprir os acordos estabelecidos e de garantir a justiça e a reparação para as comunidades afetadas.

Lembro do processo judicial que “todo dia morre alguém sem ver a decisão final” é um lembrete da luta contínua das comunidades por justiça e não poderia deixar de citar pessoas importantes nesse processo como Tiba do Sindicato, Zé de Dalina, Henrique Ramos, Dr Agenor Sampaio, Hélder Verçosa, Cícero Dias, Clécio Reis, Rafael Ramos , Humberto Gomes, Josuel de Fátinha, Batista do Tabuleiro, o lendário Severino do PT e Alcides Modesto e tantos outros.

Sugiro a criação de um museu das cidades afetadas para preservar a história e o registro do acontecido. Isso seria uma forma de homenagear a memória das comunidades e de garantir que a história não seja esquecida.

Era p ser feito no passado mas pode ser corrigido em tempo e para próxima construção de barragem.

A preservação da história e da memória das comunidades é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa e além dessa parte é fundamental que se conclua o projeto de irrigação acordado e que a justiça chegue ao veredito final, trazendo alento para muitos que passaram por uma guerra sem o direito de lutar e muito menos de vencer.

Por Tércio Tolentino.

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