Diretor revela grave crise no Hospital Promatre de Juazeiro: “No limite financeiro para se manter, apesar de ter resistido por anos”

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O Hospital Promatre, um patrimônio de Juazeiro, que há décadas contribui com a saúde da população do município e região, enfrenta uma grave crise que pode levar ao fechamento de seus serviços. Segundo a direção do hospital, “a situação tem se agravado após anos de esvaziamento contínuo praticado pelo município e a instituição está no limite financeiro para se manter, apesar de ter resistido por anos”.

Atualmente, a unidade hospitalar atende apenas aos pacientes de alta complexidade em cardiologia, através da Central de Regulação, mantendo em funcionamento os demais setores do hospital, a exemplo da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e dos leitos de enfermaria, para atender os pacientes cardiológicos. Os atendimentos de Urgência e Emergência estão suspensos desde dezembro do ano passado.

A crise afeta diretamente a população que precisa dos serviços do hospital e os funcionários, que sofrem com salários atrasados e outros direitos trabalhistas não cumpridos, como, recorrentemente, é denunciado pelos trabalhadores que procuram o Portal Preto No Branco.

Em entrevista ao PNB, Pedro Borges Filho, diretor da instituição, atribui a situação às práticas do município ao longo dos anos, que vem reduzindo serviços, contratos, atrasando pagamentos e não reajustando os valores pagos pelos serviços.

“O que as pessoas não sabem e precisa ser esclarecido é que o município, durante as suas várias administrações, vem sempre praticando um esvaziamento do hospital, causando gradativos prejuízos financeiros (através da redução dos contratos e serviços, do não reajuste dos valores pagos, dos constantes atrasos nos repasses), e justamente essa tática é que provocou o cruel quadro que a instituição vive no momento, com inadimplência de diversos débitos, multas de diversos âmbitos administrativos, prejudicando severamente a instituição e, principalmente, a vida e a saúde da população da região, e dos seus empregados.”

Pedro Borges detalhou a realidade por que passa a instituição hospitalar.

“No caso da Pro-Matre, esse desmonte é gradativo e suave e vem sendo praticado através da redução gradativa dos serviços prestados, serviços contratados, e atrasos de repasses, o que causa o esvaziamento da instituição. Pode não parecer clara a situação de fragilidade e a gravidade desta situação, mas é possível de ser aqui indicado o seguinte: a) o valor dos serviços não sofre reajuste há mais de 10 anos, sem complementação pelo município de Juazeiro, b) os valores pagos desde 2009 sempre foram pagos com muito atraso, chegando, em alguns momentos a serem pagos após mais de 120 dias dos serviços prestados, c) diversos serviços foram retirados dos contratos pelo município ao longo dos anos, d) a demanda de serviços do município, inclusive diversos dos serviços contratados vem diminuindo, mesmo com o Hospital Regional lotado”, disse Pedro Borges.

O diretor explicitou ainda que “a redução é tamanha que o faturamento mensal do hospital, que era na casa de R$ 1.000,000,00 (um milhão de reais) em 2013, continuou neste mesmo valor até o ano de 2019, aumentou durante a pandemia para a casa de 2 milhões de reais, por mês, mas voltou a ser reduzido após a pandemia e hoje está em menos de 1 milhão, por mês. Ou seja, após mais de 10 anos, o valor total do faturamento continua o mesmo,” afirmou o diretor.

Destacando o serviço prestado pelo hospital ao longo de décadas, Pedro Borges disse que “a direção tem buscado soluções para reverter a situação, tentando conseguir a reativação da urgência e emergência, e confirmou que está emo estágio final, o processo com o Estado da Bahia para a habilitação de 10 novos leitos de UTI e 15 leitos de retaguarda, e que a instituição não pretende se desistir”.

Redação PNB

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