Após denúncias de atrasos no pagamento de médicos que atuam sob regime de Pessoa Jurídica (PJ) no Hospital Regional de Juazeiro (HRJ), no Norte da Bahia, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) notificou a entidade responsável pela gestão da unidade, as Obras Sociais Irmã Dulce (OSID). Os profissionais afirmam que os repasses referentes aos meses de setembro e outubro ainda não foram pagos, e que a situação tem se tornado recorrente.
Em nota enviada ao Portal Preto no Branco, a Sesab esclareceu que “realiza pagamentos regulares e consecutivos a todos os fornecedores, incluindo as Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), que fazem a gestão do Hospital Regional de Juazeiro. Nos últimos 45 dias, foram pagos mais de R$ 22 milhões à entidade. Diante da denúncia de falta de pagamento aos médicos da unidade, a Sesab notificou a OSID, que se comprometeu a sanar as pendências junto aos profissionais até 2 de dezembro de 2025. A Secretaria adotou medidas administrativas e legais para acompanhar o cumprimento desse compromisso, uma vez que o Governo do Estado mantém em dia suas obrigações financeiras com a entidade gestora”.
Denúncias
“Esses atrasos nos pagamentos são recorrentes. Até o momento, a classe médica não recebeu os valores referentes ao mês de setembro, muito menos ao mês de outubro.
Já é de costume pagar com atraso, ou seja, recebemos em novembro a produção de setembro. Teoricamente, os pagamentos eram para ser efetuados até o dia 10 do mês, o que nunca ocorre”, afirmou um dos médicos.
Os profissionais dizem que têm cobrado posicionamento do setor financeiro da unidade, mas as promessas de regularização não se concretizam.
“Foi cobrado um posicionamento do financeiro e falaram que iriam regularizar até dia 21/11. Até o momento, não temos mais atualizações sobre o pagamento, visto que todo dia informam uma nova data, uma situação completamente insustentável”, desabafam.
Os profissionais destacam ainda que os atrasos têm causado prejuízos financeiros aos trabalhadores.
“Existem contas e cartões que geram juros e encargos quando atrasam, e enquanto isso nossos salários não são pagos. Fica impossível cobrir esses custos. A gente depende desse dinheiro para honrar nossos compromissos. Não tem como ficar esperando indefinidamente”, acrescentam.
Eles ressaltam que os atrasos representam um desrespeito aos trabalhadores e cobram que providências sejam adotadas.
“É um descaso total com os profissionais. Solicitamos uma posição imediata da instituição, bem como a regularização do fluxo de pagamentos, estabelecendo uma data máxima mensal para quitação e prevendo a aplicação de juros em caso de novos descumprimentos. Pedimos respeito, transparência e uma solução urgente por parte dos responsáveis pela gestão”, disseram.
Os profissionais afirmam ainda que, caso os pagamentos não sejam regularizados, irão paralisar as atividades.
“Mesmo diante dessa falta de respeito e valorização profissional, continuamos trabalhando diariamente, garantindo atendimentos, realizando procedimentos, salvando vidas e mantendo o funcionamento de setores essenciais do hospital. No entanto, a manutenção dessa situação é insustentável e coloca em risco a continuidade de diversos serviços médicos oferecidos à população. Caso o problema não seja resolvido com urgência, seremos obrigados a suspender as atividades não essenciais, preservando apenas os atendimentos de emergência e assistência indispensável. Essa decisão, embora indesejada, pode se tornar a única alternativa para garantir a dignidade dos profissionais e a segurança da própria assistência”.
Os trabalhadores finalizam destacando que “o atraso recorrente é um descaso com a saúde pública, impacta diretamente a motivação das equipes e compromete a estabilidade dos profissionais que dedicam suas vidas ao cuidado da população de Juazeiro e região.
Reforçamos que nosso compromisso sempre foi, e continua sendo, com os pacientes. Mas também é nosso dever informar à sociedade sobre irregularidades que prejudicam tanto os profissionais quanto a qualidade da assistência prestada. Pedimos respeito, transparência e uma solução urgente por parte dos responsáveis pela gestão. A saúde da população merece ser tratada com seriedade”.
Em nota enviada ao PNB, o HRJ informou que “o pagamento dos médicos em regime de Pessoa Jurídica começará a ser realizado no dia 1º/12 (segunda-feira) e está previsto pra ser finalizado no dia 02 do mesmo mês. A direção da unidade reitera que segue empenhada na regularização do pagamento e para evitar que a situação se repita”.
Sobre a reclamação de atraso também no pagamento do retroativo salarial dos profissionais de enfermagem, a empresa ainda não se manifestou.
Redação PNB



