Uma das tradições mais conhecidas e também mais perigosas do São João do município de Senhor do Bonfim, na região Norte da Bahia, “a guerra de espadas”, ganhará um local específico e isolado para acontecer a partir de 2026. A criação do espadódromo, espaço exclusivo para a prática, foi anunciada pelo Ministério Público da Bahia.
Conforme as informações, a medida faz parte de um acordo firmado na última sexta-feira (19) entre o MP, a Prefeitura de Senhor do Bonfim e a Associação Cultural dos Espadeiros. O objetivo é tentar conciliar a preservação da tradição cultural com a necessidade de reduzir os riscos à vida e à integridade física da população.
O acordo prevê que a realização da guerra de espadas aconteça com regras de segurança mais rígidas. O espadódromo deve ficar localizado longe de casas, hospitais, escolas e postos de combustíveis.
Ainda conforme o acordo, a realização da guerra de espadas só será permitida com artefatos certificados e fabricados dentro das normas do Exército Brasileiro. Antes do evento, as espadas deverão passar por vistoria, e a associação responsável terá que apresentar toda a documentação exigida.
O MP informou ainda que o município ficará responsável por isolar totalmente o espaço com barreiras de concreto ou grades, garantir iluminação de emergência, rotas de fuga bem sinalizadas, brigadistas, pontos de primeiros socorros e manter unidades de saúde em alerta máximo durante o evento. Caso alguma das regras seja descumprida sem justificativa, a multa prevista é de R$ 20 mil por dia.
O promotor de Justiça Felipe Pazzola classificou o acordo como um marco para a cidade. Segundo ele, a iniciativa surgiu após estudos técnicos e debates envolvendo diversos setores, como Ministério Público, Polícia Militar, representantes do poder público e dos próprios espadeiros.
A intenção, segundo Pazzola, foi enfrentar a gravidade dos riscos envolvidos na prática e encontrar uma alternativa que preserve a cultura sem colocar vidas em perigo.
A proposta também reconhece que a guerra de espadas, apesar de fazer parte da identidade cultural de Senhor do Bonfim, historicamente esteve associada a acidentes graves, queimaduras e situações de alto risco.
Com o novo modelo, a expectativa é reduzir drasticamente esses perigos, evitando que a tradição continue sendo motivo de preocupação para moradores, autoridades de saúde e segurança. Agora, caberá ao município definir o local do espadódromo e cumprir todas as exigências previstas no acordo para que a prática volte a ocorrer dentro de um cenário mais controlado e seguro.
Redação PNB com informações do MPBA



