A estudante Any Kataryne procurou o Portal Preto no Branco, nesta sexta-feira (09) para denunciar um episódio de assédio sexual que teria ocorrido na noite do último sábado (03) em um bar localizado no município de Uauá, na região Norte da Bahia. Segundo a estudante, o autor do ato seria proprietário do estabelecimento.
“No estabelecimento Estação Adega Bar, após o derramamento de cerveja sobre mim, fui assediada pelo responsável do bar. A situação que poderia, em tese, ser considerada acidental, ocorreu com contato físico indevido em minhas partes íntimas, sem qualquer consentimento, sob a alegação de verificar se eu estaria “molhada”. Ele disse: “deixa eu ver se está molhadinha?”, relatou Any Kataryne.
A estudante classificou a conduta como invasiva, constrangedora e absolutamente inaceitável.
“Tal conduta foi invasiva, constrangedora e absolutamente inaceitável, configurando violação clara dos meus limites, da minha dignidade e da minha integridade física e moral. Ressalto de forma categórica que não houve autorização, consentimento, permissão implícita ou qualquer comportamento de minha parte que pudesse justificar, relativizar ou minimizar esse ato”, afirmou.
Ainda conforme o relato da jovem, após o ocorrido, ela não teria recebido acolhimento por parte dos responsáveis pelo local. Segundo Any Kataryne, a situação foi minimizada e tratada como “brincadeira”.
“Importante registrar que, em nenhum momento, fui acolhida após o ocorrido. Ao contrário, houve tentativa de me constranger ainda mais, quando o responsável passou a minimizar a situação, afirmando que se tratava de “brincadeira” e insinuando que eu estaria exagerando ou buscando chamar atenção. Essa postura reforça a gravidade do ocorrido e evidencia a ausência total de respeito e responsabilidade diante de uma conduta inadequada. Deixo claro, de forma inequívoca, que não houve mal-entendido, não houve exagero e não houve interpretação equivocada. Houve toque indevido”, destacou.
A estudante reforçou que qualquer contato físico sem consentimento é inadmissível.
“De maneira igualmente clara, ressalto que qualquer contato físico sem consentimento é inadmissível, independentemente do contexto, da relação entre as partes ou de qualquer justificativa posterior. E fica o aviso: meu corpo não é convite. Qualquer homem que pense o contrário está devidamente avisado. Toque sem consentimento é desrespeito, é violência e não será tolerado”, declarou.
A estudante disse ainda que o caso foi formalmente denunciado, com registro de Boletim de Ocorrência e apresentação de testemunhas. Durante o procedimento policial, segundo o relato, foi informado que as câmeras de segurança do estabelecimento não estariam funcionando e que o DVR do sistema de monitoramento teria desaparecido, fato que será apurado no curso da investigação.
O caso segue sob investigação pelas autoridades competentes.
Após a repercussão do caso, o estabelecimento Estação Adega Bar divulgou nota oficial.
Veja na íntegra:
O Estação Adega Bar informa que tomou conhecimento das publicações recentes envolvendo uma alegação relacionada às dependências do estabelecimento. O estabelecimento trata com seriedade qualquer relato de desconforto ou situação relatada, reafirmando seu compromisso permanente com a manutenção de um ambiente seguro e respeitoso. A situação encontra-se sob análise, com acompanhamento de assessoria jurídica, pelas instâncias competentes. Por orientação jurídica, o estabelecimento não fará manifestações sobre o mérito dos fatos enquanto perdurar a apuração.
Reitera-se o respeito a todas as pessoas envolvidas, bem como a disposição em colaborar com os procedimentos cabíveis, preservando a integridade, a dignidade e os direitos de todos.
Atenciosamente,
Estação Adega Bar
Redação PNB



