“Desumano”: Familiares de detentos relatam dificuldades em visitas e más condições no Conjunto Penal de Juazeiro

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Familiares de detentos do Conjunto Penal de Juazeiro, no norte da Bahia, entraram em contato com o Portal Preto no Branco para relatar problemas que vêm sendo enfrentados por internos e visitantes na unidade prisional. Segundo os relatos, desde que o presídio passou a ser administrado pela Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap-BA), a atual gestão tem supostamente dificultado o contato das famílias com os detentos e agravado as condições dentro da penitenciária.

“Ultimamente, a gestão do presídio só dificulta a vida de quem está lá dentro e também de quem vai visitar. Na gestão anterior, ainda havia atenção aos familiares. A direção ouvia as queixas das famílias e dos detentos. Hoje isso não acontece mais”, afirmou uma familiar.

De acordo com os familiares, as dificuldades começam já no acesso às visitas.

“É preciso dormir quatro ou cinco dias na porta do presídio para conseguir visitar, por pura falta de organização. Por que não fazem uma senha digital ou online para facilitar a vida de quem vem de longe?”, questionou outro.

Eles também criticam a burocracia para a emissão da carteirinha de visitante.

“A carteirinha é feita hoje para ser entregue apenas daqui a 20 ou 30 dias. Ou seja, o interno chega hoje e só vai receber visita depois de mais de um mês. Sem contar que a carteirinha só é feita às segundas-feiras, com poucas fichas. Tem gente que vem de outras cidades e precisa chegar três dias antes para tentar uma vaga”, relataram.

Os familiares afirmam ainda que há extrema rigidez no recebimento de cartas e compras destinadas aos internos.

“A falta de respeito e empatia com os visitantes é extrema. Nem cartas estão aceitando mais para os internos. Se a família leva a compra do interno, mas não tem a carteirinha, eles simplesmente não recebem. O interno fica sem nada, mesmo com a família levando. E, quando consegue entrar, é uma humilhação. A forma como fazem a revista e a conferência das compras é humilhante para os internos. Sabemos que algumas visitas erram e tentam entrar com ilícitos, mas não se pode julgar todo mundo por causa de um ou outro”, disseram.

Os familiares também questionam a suspensão das ligações telefônicas dos detentos para casa.

“As ligações que antes eram autorizadas agora não são mais. Por quê? Como a família vai ter notícias? Como vai dar notícias? Isso não é disciplina, isso é desumano”, disse outro familiar.

Eles relataram ainda problemas estruturais, alimentares e de saúde dentro da unidade.

“No calor extremo de Juazeiro, não é autorizado nem um ventilador. As visitas passam o dia lá dentro e muitas saem passando mal. Imagine quem fica preso o tempo todo. A alimentação também deixa a desejar. Muitos relatam que só comem carne de porco. Já houve casos de frango cru, carne moída estragada, ovo com casca e até cabelo na comida. Quando os internos adoecem e reclamam, recebem apenas dipirona ou paracetamol”, afirmaram.

Encaminhamos os relatos para a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (SEAP-BA) e aguardamos um posicionamento.

Redação PNB

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