“Vamos assistir ao Carnaval por trás de tapumes?”: moradores criticam fechamento de vias e alertam para insegurança no Centro de Juazeiro

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Moradores do Centro de Juazeiro, na região Norte da Bahia, têm manifestado insatisfação em relação ao fechamento de ruas e à instalação de tapumes e camarotes ao longo dos circuitos do Carnaval antecipado. As reclamações apontam dificuldades de acesso, sensação de isolamento e preocupação com a segurança de quem vive nas áreas afetadas.

Uma das críticas vem de moradores do prédio residencial Rio Brilhante, localizado na Rua Américo Alves. Segundo uma moradora, a instalação de um camarote totalmente fechado com tapumes de cerca de dois metros de altura acabou criando um espaço isolado ao lado do prédio.

“O camarote é todo fechado pelas laterais. O que fizeram aqui foi criar um beco, um tapume que isolou a entrada do nosso prédio e também isolou da visão. Até a câmera de segurança que a gente tem também foi tapada pela cobertura que eles fizeram”, diz.

A moradora demonstra preocupação com o uso inadequado do local e com a vulnerabilidade da área. “Isso aqui vira banheiro público, porque não tem saída nem visibilidade. Mas, além disso, é um lugar propício para assaltos e outros crimes. Ninguém vê, ninguém ouve, a polícia não vê porque está tudo fechado”, afirma.

Segundo ela, os moradores se sentem acuados ao entrar e sair do prédio, tanto de dia quanto à noite. “Se acontecer alguma coisa, ninguém vai ver. A gente não consegue entender qual é o objetivo desse tapume”, completa.

As reclamações se estendem a outros pontos do circuito.

“As ruas que dão acesso à Adolfo Viana estão fechadas. Como ficamos nós, moradores? Vamos assistir ao Carnaval por trás de muros?”, questiona.

Ele lembra que, em anos anteriores, as interdições eram feitas de outra forma. “Antes eram blocos de concreto, este ano colocaram muros de metal. Essas ruas servem para aliviar o fluxo. Do jeito que está, vamos ficar sufocados na avenida, sem acesso às transversais”, alerta.

Ele destaca ainda que o sentimento é de perda de um direito histórico. “Nós, moradores, sempre assistimos ao Carnaval das nossas esquinas. Este ano, foi tirado da gente esse direito”, lamenta.

Outro morador também manifestou indignação com o fechamento total das vias. “Venho registrar minha preocupação com o fechamento completo da Rua Luis Cursino para o Carnaval. Essa via, assim como outras, foi totalmente bloqueada, impedindo a circulação segura de pedestres e moradores, algo que nunca foi prática adotada anteriormente”, afirma.

Segundo ele, tradicionalmente, mesmo durante grandes eventos, as calçadas permaneciam livres, garantindo passagem e segurança. “Esse tipo de bloqueio representa um perigo real, porque elimina rotas de fuga e pontos de escape em casos de emergência, como tumultos, mal-estar, necessidade de atendimento médico ou evacuação rápida. Em eventos com grande concentração de pessoas, as aberturas laterais são fundamentais para preservar vidas”, ressalta.

O morador reforça que a crítica não é contra a realização da festa. “Não se trata de ser contra o Carnaval, mas de exigir organização, responsabilidade e respeito aos moradores. Carnaval deve ser sinônimo de alegria, não de insegurança”, conclui.

Também em contato com o PNB, uma moradora da Rua Conselheiro Luis Viana cobrou providências ao poder público.

“Absurdo o que estão fazendo em Juazeiro, fechando todas as ruas que dão acesso à Adolfo Viana. Uma delas é a Rua Conselheiro Luis Viana, no fundo da rua da 28. Os moradores, idosos, pessoas com deficiência e crianças, que gostam de assistir o Carnaval com segurança, praticamente na esquina de suas casas, estão totalmente impossibilitados de transitar pela mesma. Espero que essa situação chegue até à administração do e que o problema seja resolvido”.

Estamos encaminhando todos os relatos para a Secretaria de Ordenamento Urbano e Habitação de Juazeiro em busca de esclarecimentos.

Redação PNB 

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