O médico e ex-policial federal, Dalmir Pedra, alvo de busca e apreensão da Operação Litíase, deflagrada pela Polícia Federal (PF), nesta quarta-feira (28), em Juazeiro, em um vídeo publicado nas redes sociais, se manifestou sobre a investigação que apura um desvio milionário de recursos públicos do SUS que teria começado durante a pandemia da Covid-19 e se estendido até o ano de 2023 no município. Segundo a PF, há suspeitas de fraudes em contratos na área da saúde.
Dalmir Pedra já exerceu o mandato de vereador em Juazeiro, já atuou como secretário municipal de Saúde, e é casado com a vereadora Ana Laura.
A Operação também cumpriu mais cinco mandados de busca e apreensão em Juazeiro, com o objetivo de recolher documentos e outros materiais que possam fortalecer as provas já reunidas. Os nomes dos demais investigados ainda são desconhecidos.
No vídeo, ele apresenta sua defesa e pede: “Continue confiando em Dalmir Pedra”.
Operação Litíase
A Operação da PF foi batizada de Litíase, que significa “formação de pedras/cálculos nos canais excretores das glândulas (vias biliares, urinárias, salivares etc.)” e investiga fraudes em licitações do município.
A ação, realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), apura um suposto esquema de direcionamento de contratações e pagamentos irregulares com verbas do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente em serviços médicos hospitalares.
De acordo com as investigações, o esquema teria envolvido a locação de um imóvel contratado no período da pandemia, sem justificativa técnica clara sobre quais atendimentos ou internações seriam realizados no local. Ainda segundo a apuração, a locação seguiu ativa até 2023 e o endereço do imóvel coincidia com a sede da instituição contratada para prestar os serviços de saúde, levantando suspeitas de direcionamento.
Também foram identificados indícios de irregularidades em procedimentos licitatórios e pagamentos feitos sem a devida comprovação da execução dos serviços. Entre as inconsistências estão a ausência de registros sobre quais atendimentos ou exames foram realizados e em que quantidade.
As contratações investigadas resultaram em pagamentos superiores a R$ 13 milhões, sendo aproximadamente R$ 7 milhões provenientes de recursos federais do SUS. A investigação segue em andamento e busca identificar todos os possíveis envolvidos, inclusive outros que ainda não tenham sido formalmente apontados.
Em nota enviada ao PNB, a atual gestão municipal esclareceu que a operação refere-se a fatos e contratos de gestões anteriores.
Confira na íntegra
“A Prefeitura de Juazeiro informa que a Operação Litíase, deflagrada pela Polícia Federal, refere-se a fatos e contratos de gestões anteriores, abrangendo períodos até o ano de 2023. A atual gestão não é alvo da operação, não integra as investigações, e reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a correta aplicação dos recursos públicos. A Prefeitura se coloca à disposição da Polícia Federal e dos demais órgãos de controle para prestar informações e fornecer documentos que contribuam com a apuração dos fatos”.
Redação PNB


