O vereador Gilmar Santos (PT), de Petrolina, no sertão de Pernambuco, utilizou as redes sociais para criticar publicamente o tratamento dado pela gestão municipal aos artistas locais, especialmente no contexto da organização do Carnaval da cidade. Em vídeo publicado nas redes, o parlamentar fez referência a uma fala da cantora Ivete Sangalo durante o Carnaval de Juazeiro, na Bahia, destacando a valorização dos artistas da terra promovida pelo município vizinho.
“Quero parabenizar a nossa diva Ivete Sangalo por tudo que ela fez e faz pela nossa cultura musical, por mais uma apresentação incrível no Carnaval de Juazeiro, por valorizar as suas raízes, as suas origens e por defender os nossos artistas locais”, afirmou.
Segundo ele, artistas que se apresentaram no Carnaval de Juazeiro elogiaram o tratamento recebido da gestão municipal.
“Muitos desses artistas se apresentaram no Carnaval de Juazeiro e elogiaram bastante o tratamento dado pela gestão municipal”, disse.
Em contraponto, o vereador criticou a condução da política cultural em Petrolina, que, segundo ele, é diferente da adotada em Juazeiro.
“O que Ivete talvez não saiba é que os artistas de Petrolina vêm sendo bastante maltratados pelo grupo político que comanda a prefeitura”, declarou.
De acordo com Gilmar Santos, denúncias apontam que as contratações para o Carnaval de Petrolina estariam sendo feitas sem critérios claros.
“Denúncias que me chegaram dizem que a prefeitura, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo, está contratando os artistas para se apresentarem no Carnaval de acordo com a conveniência do gestor. Não existe, por exemplo, uma chamada pública com critérios democráticos e transparentes que oportunizem e valorizem os nossos artistas”, afirmou.
O parlamentar também questionou os valores pagos aos artistas locais e apontou desvalorização da classe.
“O cachê ofertado para a maioria dos artistas é de pouco mais de R$ 5 mil. Só para vocês entenderem, Juazeiro pagou entre R$ 20 mil e R$ 45 mil para diversos artistas locais que se apresentaram no Carnaval. Inclusive, uma artista de Petrolina foi contratada por R$ 45 mil. A pergunta que fica é: será que essa artista vai se apresentar na sua cidade por R$ 5 mil? Será que vai aceitar receber a metade do valor que recebeu em Juazeiro? Ou será que uns vão receber R$ 5 mil e outros vão receber R$ 40 mil, sendo do mesmo nível artístico? Quais critérios serão esses?”, questionou.
O vereador também citou a Lei Municipal nº 2.851/2016, que estabelece regras para a contratação de artistas em grandes eventos.
“A lei obriga que, ao realizar grandes eventos culturais, 50% dos artistas contratados sejam artistas locais e que 30% do valor da contratação seja destinado a eles. Infelizmente, nada disso é cumprido”, afirmou.
Gilmar Santos ainda apontou a ausência de diálogo com os órgãos culturais do município.
“Segundo outras denúncias, o Conselho de Cultura não teve qualquer participação na construção do Carnaval. Já a Secretaria Executiva de Cultura teve pouca participação nas grandes decisões. A impressão que fica é que os grandes eventos se tornam um bom negócio para o prefeito Simão, para o secretário Giovanni e para o grupo político que vai comandando a cidade ao seu bel prazer”, disse.
O vereador afirmou que tentou obter esclarecimentos formais junto à gestão municipal, mas que ainda não obteve retorno. Ao final do pronunciamento, ele disse que pode recorrer aos órgãos de controle.
“Vamos aguardar essa semana e, a depender das respostas, o nosso caminho será o Ministério Público ou o Poder Judiciário. A pergunta que fica é: até quando os nossos artistas locais vão continuar se submetendo a esse tipo de tratamento? E mais, quando se paga tão pouco, alguém está ficando com o restante do dinheiro? E para quê? Para quais fins?”, encerrou.
Redação PNB



