Da Faria Lima ao SUS: operação da polícia investiga empréstimo suspeito de R$ 30 milhões

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A empresa Insight Participações S.A., que está sendo investigada por suspeita de esconder bens e lavar dinheiro do crime organizado, emprestou cerca de R$ 30 milhões para uma distribuidora comprar remédios que seriam entregues ao Ministério da Saúde.

O dinheiro ajudou a pagar a primeira remessa de imunoglobulina que a Farma Medical forneceria ao SUS. Segundo informações do O Globo, a distribuidora informou que pegou esse recurso sem saber das suspeitas contra a empresa que emprestou e depois de ter pedidos de crédito negados pelos bancos.

Os medicamentos chegaram ao Brasil em outubro de 2023, mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa|) proibiu o uso porque encontrou problemas no controle de temperatura durante o transporte. Diante disso, o Ministério da Saúde cancelou o contrato com a Farma Medical.

A empresa não recebeu o pagamento do governo, o que também acabou com os planos da Insight de financiar o contrato inteiro, que valia R$ 87,63 milhões e previa mais entregas do remédio.

Quase dois anos depois, em agosto de 2025, a Insight foi alvo de buscas e apreensões na Operação Carbono Oculto.

O diretor e fundador da empresa, Himad Abdallah Mourad, é primo de Mohamad Hussein Mourad, que está foragido e é considerado um dos líderes da organização criminosa que teria infiltrado o PCC no mercado de postos de gasolina.

A polícia cumpriu mandados em prédios na avenida Faria Lima, em São Paulo, uma região importante do mercado financeiro. Até agora, as ações que vieram depois da Operação Carbono Oculto não focaram no financiamento de grandes contratos do SUS.

Selecionada pelo ministério sem licitação em abril de 2023, a distribuidora Farma Medical, que tem sede registrada em Manaus (AM), assinou em junho uma nota comercial com a Insight prevendo que os recursos seriam usados pela distribuidora para pagar o fabricante chinês da imunoglobulina.

Feito à base do plasma sanguíneo, o medicamento é indicado para pacientes com o sistema imunológico comprometido, inclusive em casos específicos associados ao HIV.

Na nota comercial, a Insight foi representada pela Reag, gestora de recursos que também foi alvo da Operação Carbono Oculto. A administradora acabou liquidada após vir à tona a relação dela com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

O contrato previa que a Insight custearia toda a compra de imunoglobulina. Em troca, receberia o valor emprestado para a Farma Medical com correção pela taxa Selic, além do equivalente a 85% do lucro líquido da entrega ao SUS.

Bocão News

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