Profissionais de enfermagem que atuam na Atenção Básica de Juazeiro, na região Norte da Bahia, e prestam serviço por meio do Instituto de Gestão Aplicada (IGA), seguem cobrando o pagamento do complemento do piso salarial da categoria referente aos meses de janeiro e fevereiro de 2026. A organização social assumiu a gestão da Atenção Básica do município no início deste ano.
Ao Portal Preto no Branco, trabalhadores relataram que parte dos pagamentos que estavam pendentes chegou a ser regularizada, mas o valor referente ao piso da enfermagem ainda não foi repassado.
“O vale-refeição e o pagamento que estavam atrasados saíram. Só que os dois pisos nossos, nem sinal. Janeiro e fevereiro a gente não recebeu. “É um dinheiro nosso, é um repasse do governo federal para nós. E eles querem o quê com o nosso dinheiro, se não repassam para a gente?”, questionou uma trabalhadora
Os profissionais também demonstram preocupação com o acúmulo de meses sem o pagamento do benefício.
“Tem dois meses atrasados. A gente já está entrando em março. Se passar para abril, já vão ser três pisos. E não vão pagar por quê? A pergunta que não quer calar é: o que foi feito do dinheiro do trabalhador? Estão fazendo uma poupança com esse dinheiro? Porque até agora nada foi repassado”, desabafou outro profissional.
Ainda segundo os profissionais, não há canal de diálogo para esclarecer a situação.
“O IGA não recebe ninguém para explicar. A gente só quer saber quando vão pagar. O certo é pagar janeiro e fevereiro”, concluiu.
Em contato com o PNB, o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado da Bahia (Sindisaúde-BA) informou que já está acompanhando a situação dos trabalhadores. A entidade informou que tomou conhecimento do problema na última sexta-feira, após ser procurada por profissionais da categoria.
“Assim que o sindicato ficou sabendo da situação, isso foi na sexta-feira passada. Eu estava inclusive em Juazeiro e fui comunicado por alguns funcionários sobre a empresa estar devendo o salário de fevereiro e também o complemento do piso de janeiro e fevereiro”, relatou um representante do Sindisaúde-BA.
De acordo com o sindicato, uma reunião com os trabalhadores foi marcada já no sábado pela manhã para ouvir as demandas da categoria e buscar encaminhamentos.
“De pronto, no sábado pela manhã, marquei uma reunião com os trabalhadores e fiquei ciente da situação. A partir daí, mandei um ofício para a empresa e também para a Secretaria Municipal de Saúde. Liguei para a Secretaria de Saúde e não consegui falar. Por volta de meio-dia fui até lá, conversei com a chefe de gabinete do secretário, que entrou em contato com ele e, de imediato, marcou uma reunião para a tarde, às 16h””, explicou Benivaldo Jesus do Bomfim
Diretor jurídico do sindicato.
Na reunião, segundo o sindicato, o secretário municipal de Saúde informou que estava trabalhando para regularizar a situação do pagamento dos trabalhadores.
“Estive com o secretário, juntamente com a chefe de gabinete, e expus toda a situação dos trabalhadores sem salário. Ele já tinha colocado que estava se empenhando para fazer o repasse do salário. No dia seguinte o repasse foi feito e a empresa pagou o salário de todos os trabalhadores”, relatou.
Apesar da regularização do pagamento salarial, o sindicato confirmou que ainda permanece pendente o repasse do complemento do piso da enfermagem.
“Ficou faltando o pagamento do piso, que também foi tratada na reunião. O que foi explicado é que o recurso referente ao mês de janeiro já estava em poder da Secretaria, mas o repasse ainda dependia de uma autorização do setor jurídico, que está analisando as documentações da empresa”, informou.
Ainda conforme o sindicato, o secretário explicou que existe um trâmite burocrático para a liberação dos valores.
“Ele explicou que, quando é feito um repasse para a empresa, ela precisa prestar contas, mostrar como utilizou o recurso para então receber novos valores. Existe essa burocracia e o processo estava sendo analisado pelo jurídico”, disse.
Sobre o repasse referente ao mês de fevereiro, o sindicato informou que a Secretaria teria encaminhado os recursos, mas que o valor ainda não havia sido recebido naquele momento. O Sindisaúde-BA afirmou que continua acompanhando o caso e cobrando celeridade na resolução do problema.
“Hoje mesmo já tivemos novo contato com o gabinete do secretário e estamos aguardando uma posição. Pedimos que se acelere esse processo. Sabemos que existe burocracia e responsabilidade, mas estamos em cima e vamos continuar cobrando para que o trabalhador receba tanto o salário quanto o complemento do piso em tempo hábil”, concluiu.
O PNB segue buscando esclarecimentos sobre a situação junto à Secretaria de Saúde de Juazeiro.
Redação PNB


