Memória: Reportagem publicada há 17 anos já denunciava crise no SAAE de Juazeiro; “estamos à beira de um colapso”, anunciava ex-prefeito Isaac Carvalho

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Apesar de ocupar uma posição estratégica na estrutura administrativa do município de Juazeiro, na região Norte da Bahia, o Serviço de Água e Saneamento Ambiental (SAAE) vive uma crise estrutural que vem afetando diretamente a capacidade de tratamento e distribuição de água em todo o município. A atual gestão atribui o cenário a anos de falta de investimentos, equipamentos obsoletos e infraestrutura que não acompanhou o crescimento da cidade.

No ano de 2009, na gestão do ex-prefeito Isaac Carvalho, por exemplo, o município vivenciou uma crise hídrica semelhante. O Portal Preto no Branco resgatou uma matéria da jornalista Nadja Cibele, publicada no dia 12/03 daquele ano no jornal Gazeta, destacando que o problema não tinha prazo para solução.

Conforme a matéria, durante uma coletiva para explicar à comunidade o que vinha acontecendo, o então prefeito Isaac Carvalho declarou que já havia apresentado um projeto de ampliação da rede ao Governo Estadual, orçado em aproximadamente R$ 20 milhões e que teria sido feito pensando nos próximos 30 anos.

“Já deixei claro para ele (Wagner) que o SAAE não aguenta passar esse ano na situação que está, estamos à beira de um colapso”, destacou Isaac na época.

Na ocasião, questionado sobre prazos para a solução do problema com a parceria do governo estadual, o prefeito Isaac Carvalho não precisou data para a solução do problema.

“O Governo não estipulou data porque a equipe técnica está tomando conhecimento do assunto. Ele não garantiu para este ano resolver tudo, viabilizando o projeto apresentado, mas pelo menos parte deste projeto. A tubulação até aguenta um pouco mais, o problema está no tratamento, pois a estação de tratamento precisa ser dobrada”, respondeu Isaac.

Também durante a coletiva, o então diretor do SAAE, Marcos Moraes, declarou que o município não tinha água suficiente para abastecer toda a população.

“O decantador – aparelho que separa a sujeira da água – foi projetado para 400 litros por segundo, o que é estimado para uma população de 150 mil habitantes. Nós temos uma eficiência razoável, mas ainda abaixo do aceitável”, explicou na ocasião.

Ainda durante a coletiva, o então diretor do SAAE criticou a administração anterior, enfatizando que nada (nenhum material ou projeto) foi encontrado no almoxarifado, armários e arquivos da autarquia.

“Qualquer anormalidade no sistema de água de Juazeiro vira um caos, a exemplo da turbidez que chegou junto com a cor, aumentando a demanda de água e o sistema de tratamento não apresenta uma velocidade adequada”.

Moraes destacou ainda na época que o município necessitava construir emergencialmente uma nova estação de tratamento e novos reservatórios na cidade.

A reportagem destaca ainda uma dívida de mais de R$ 1 milhão que a gestão Isaac havia herdado através de três ações de execução fiscal propostas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). O setor jurídico do SAAE da época citou ainda uma herança de débito de quase R$ 200 mil em processos trabalhistas, mais de 32 ações de consumidores do serviço contra o SAAE propondo indenizações “vultosas”, orçadas em mais de R$ 200 mil, e ainda uma autuação da Fazenda Estadual da Bahia, cobrando Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) do SAAE, que não teria sido feita defesa administrativa na gestão anterior.

A reportagem cita ainda o desvio de canos do SAAE, que teriam sido encontrados na empresa Cosan, e um débito de energia elétrica no valor de R$ 720 mil (o valor foi parcelado em prestações de R$ 43 mil).

Veja a reportagem completa:

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Situação atual

17 anos após a reportagem do jornal Gazzetta, a situação do SAAE parece não ter avançado. De acordo com a atual gestão, na estação de captação responsável por retirar a água bruta do Rio São Francisco, o último investimento registrado foi em 2014, com a instalação de um flutuante.

Já a Estação de Tratamento de Água (ETA) do bairro Santo Antônio, construída na década de 1960, segundo os dados, apresenta limitações operacionais decorrentes da ausência de modernização ao longo dos anos.

“Equipamentos fundamentais para o funcionamento do sistema também apresentam elevado desgaste. Há bombas com mais de 30 anos de uso que já não atendem às necessidades atuais. Os filtros da estação também operam com limitações devido à falta de manutenção adequada, como a substituição do leito filtrante. Dos 25 filtros existentes na unidade, dois foram danificados em 2021 e não chegaram a ser substituídos”, destaca a atual gestão do SAAE.

Ainda conforme as informações, outro ponto identificado pela equipe técnica foi o crescimento urbano acelerado de Juazeiro na última década, com a implantação de novos condomínios, loteamentos e conjuntos habitacionais.

“Entretanto, esse avanço não foi acompanhado por investimentos que ampliassem a capacidade de tratamento e oferta de água. Em muitos casos, extensões de rede foram realizadas sem estudos mais aprofundados de viabilidade hídrica”, acrescentou o órgão.

O SAAE também destaca que constatou que 40% da água tratada se perde ao longo da distribuição, por causa de furtos com ligações clandestinas e perdas devido a estrutura de canos defasada.

“A situação também envolve o passivo financeiro acumulado pela autarquia. O débito herdado ultrapassa R$ 90 milhões, sendo R$ 47 milhões apenas com a concessionária de energia Coelba, responsável pelo fornecimento de energia para o funcionamento dos sistemas de captação, tratamento e bombeamento”, detalha o SAAE.

Redação PNB

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