A organização não governamental Cores Petrolina, que atua na defesa da população LGBTQIAPN+, divulgou uma nota de repúdio após a circulação de comentários
transfóbicos em uma publicação do blog Petrolina em Destaque. Segundo a ONG, as mensagens foram feitas em uma postagem sobre uma fala da vereadora do Rio de Janeiro Alana Passos.
Na manifestação, a ONG criticou ataques direcionados à deputada federal Erika Hilton, que vem enfrentando diversos episódios de transfobia nas redes sociais após assumir, de forma legítima, a presidência da Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados.
De acordo com a Cores Petrolina, os comentários publicados na internet representam discursos de ódio e contribuem para a violência contra pessoas trans e travestis. A entidade também ressaltou que discursos de ódio não podem ser tratados como simples opiniões e afirmou que ataques dessa natureza colocam vidas em risco, reforçando a importância do respeito à diversidade e aos direitos humanos.
Confira a nota na íntegra:
“Diante da enxurrada de comentários transfóbicos publicados na postagem sobre a fala da vereadora do Rio de Janeiro Alana Passos, manifestamos nosso mais profundo repúdio, indignação e revolta.
Vivemos em um país onde ser mulher já é, todos os dias, um exercício de sobrevivência. No Brasil, mulheres são perseguidas, violentadas e assassinadas por homens movidos pelo machismo e pela misoginia. É também o país que mais mata mulheres trans e travestis no mundo, enquanto mulheres cisgênero seguem sendo vítimas constantes da violência de gênero.
Mesmo diante dessa realidade brutal, pessoas trans e travestis ainda precisam enfrentar um crivo social cruel, onde homens e mulheres cis se arrogam o direito de decidir quem é ou não é mulher, como se nossas identidades dependessem da validação de quem sempre ocupou posições de privilégio.
Os comentários vistos naquela postagem não são apenas opiniões — são manifestações explícitas de ódio, transfobia e apagamento da nossa existência. São palavras que alimentam a violência, legitimam agressões e colocam vidas em risco.
Também repudiamos com veemência o comentário infeliz, transfóbico e violento direcionado à deputada federal Erika Hilton. Ataques dessa natureza, especialmente quando amplificados por meios de comunicação, não podem ser tratados como algo normal ou aceitável.
Televisão e rádio são concessões públicas.
Isso significa que pertencem ao povo e devem cumprir uma função social responsável. Não podem, em hipótese alguma, ser usados como espaço para cometer crimes, disseminar ódio ou atacar a dignidade de pessoas e grupos sociais.
Diante disso, é urgente uma intervenção e maior responsabilização contra esse tipo de atitude em emissoras de rádio e televisão que permitem ou reproduzem discursos de ódio.
Na internet, a situação também exige atenção. Muitos “opinadores” de plantão acreditam que podem publicar qualquer tipo de ataque e depois se esconder atrás da frase: “é apenas a minha opinião”. Mas discurso de ódio, transfobia e incitação à violência não são opinião — são crimes.
Existe ainda uma hipocrisia evidente nisso tudo. Muitos dos mesmos homens que despejam ódio nas redes sociais são os que, na intimidade, consomem pornografia com mulheres trans e travestis, buscam nossos corpos em sites, nas ruas e nas redes para satisfazer seus fetiches, enquanto publicamente tentam nos desumanizar.
A verdade é simples: mulheres cis e mulheres trans não são inimigas. Todas somos alvo de uma mesma estrutura machista que tenta controlar nossos corpos, nossas vidas e nossas existências.
Fala-se tanto em respeito. Fala-se tanto em amor ao próximo.
Mas em que mundo estamos vivendo, onde o ódio é tratado como opinião e a dignidade humana vira alvo de ataque público?
Que o respeito prevaleça. Que o amor ao próximo saia das páginas da Bíblia — tão citada por aqueles que atacam — e passe a habitar de verdade o coração dessas pessoas que se dizem “de bem”.
Porque enquanto o preconceito fala alto, vidas continuam sendo perdidas.
E nós não vamos nos calar.
Respeito às pessoas trans e travestis é inegociável. Nossas vidas importam.”
Redação PNB



