“De onde saiu essa IGA?”: Dentistas das UBSs de Juazeiro relatam salários atrasados, falta de contrato e uso de materiais vencidos; Sesau diz que repasses foram feitos à empresa

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Dentistas que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Juazeiro, na região Norte da Bahia, e prestam serviço por meio do Instituto de Gestão Aplicada (IGA), entraram em contato com o Portal Preto no Branco para apontar uma série de problemas enfrentados no trabalho, incluindo atraso salarial, falta de contrato formal e dificuldades estruturais nas unidades. De acordo com os profissionais, até o momento, o salário referente ao mês de fevereiro ainda não foi pago.

“A empresa IGA ainda não pagou aos dentistas o salário referente ao mês de fevereiro. Já estamos quase no meio de março e nada foi resolvido. Isso desmotiva demais. Além do salário ser baixo, ainda atrasam. Sinto como se meu trabalho não tivesse valor nenhum. Parece até que estamos implorando esmola”, desabafou um profissional.

Além do atraso no pagamento, os dentistas também relatam problemas com materiais e equipamentos nas unidades de saúde.

“Estamos trabalhando com materiais vencidos sendo entregues por eles, e equipamentos que dão problema não são solucionados. Eu mesmo estou levando materiais meus, comprados do meu bolso, para não paralisar os atendimentos odontológicos nas UBSs”, afirmou outro profissional.

Os profissionais também questionam o modelo de contratação adotado pela IGA.

“Nos colocaram como PJ para não pagar 13º e férias, mas somos obrigados a assinar frequência. Estamos trabalhando em um regime que parece CLT, mas sem direito nenhum. Além disso, estamos trabalhando há três meses e ainda não assinamos nenhum contrato. Quando cobramos, sempre dão desculpas. Estamos sem nenhuma garantia ou respaldo”, disse outro dentista.

Os dentistas também denunciam que teriam sido pressionados durante reuniões com representantes da empresa ao questionarem as condições de trabalho.

“Quando tentamos nos mobilizar, somos coagidos. Em uma reunião, falaram: ‘Se acharem ruim, tem uma fila de gente querendo a sua vaga’. Ou seja, temos que aceitar essas condições porque precisamos do salário”, relatou.

Outro ponto levantado pelos profissionais diz respeito a falta de repasse do incentivo financeiro do programa Brasil Sorridente, política pública federal voltada para a saúde bucal na atenção básica.

“O incentivo vem para o município, isso foi dito na reunião. Mas falaram que não tinham certeza se iam repassar para a gente, e até agora não repassaram. Ou seja, alguém está recebendo o incentivo do Brasil Sorridente, e não somos nós dentistas nem os ASBs”, finalizaram.

Encaminhamos os relatos para a Secretaria de Saúde em busca de esclarecimentos. Em nota, a SESAU informou que “o repasse financeiro referente aos serviços mencionados já foi devidamente realizado pela gestão municipal à empresa responsável pela contratação e gestão dos profissionais. No que compete à administração municipal, todos os trâmites necessários para a liberação dos recursos foram integralmente cumpridos. Dessa forma, questões relacionadas ao pagamento de profissionais, vínculos contratuais, fornecimento de materiais e manutenção de equipamentos são de responsabilidade da empresa contratada. A Sesau informa ainda que segue monitorando a empresa prestadora de serviços para que o cumprimento dos repasses aos profissionais seja devidamente efetivado, assegurando a regularidade da prestação dos serviços à população”.

 

Redação PNB 

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