Mãe atípica chama a atenção para sobrecarga de auxiliares que acompanham crianças com deficiência em escolas municipais de Juazeiro

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Uma mãe atípica procurou o Portal Preto no Branco para relatar a situação que estaria sendo enfrentada por auxiliares que acompanham crianças com deficiência em escolas da rede municipal de ensino de Juazeiro, na região Norte da Bahia. Conforme o relato, as profissionais estariam sobrecarregadas ao atender várias crianças ao mesmo tempo dentro da mesma sala de aula.

“Meu filho tem 4 anos e é acompanhado por uma auxiliar, só que ela acompanha ele e mais três crianças atípicas na mesma sala. Eu venho fazer essa queixa como mãe e como ser humano, porque eu passo na pele o quanto é desafiador e cansativo cuidar de uma criança. Imagine acompanhar quatro e ainda ser cobrada por resultados. Já conversei com outras mães atípicas e todas falam a mesma coisa. As auxiliares estão sobrecarregadas. Muitas não querem mais trabalhar na função porque não se sentem valorizadas, acompanhadas, ouvidas e, principalmente, atendidas”, relatou.

Ela também cita novas exigências que estariam sendo feitas às profissionais.

“Fiquei sabendo que agora o Espaço Humanizar exigiu que as auxiliares façam relatório diário por aluno todos os dias. Isso é desumano. Se a auxiliar tivesse apenas uma criança até poderia dar conta, mas muitas acompanham três ou quatro. Como vão conseguir fazer tudo isso?”, questionou.

A mãe também criticou o que considera falta de reconhecimento da categoria.

“Cadê o reconhecimento dessas profissionais? Pelo que sabemos, nem está nas atribuições delas ter que fazer relatórios todos os dias. Muitas não denunciam ou não fazem uma paralisação porque têm medo de serem mandadas embora”, declarou.

Ainda segundo os relatos, em algumas situações as auxiliares acabam assumindo responsabilidades que deveriam ser compartilhadas com a equipe pedagógica.

“Muitas não têm apoio da gestão da escola nem do professor da sala. Tem professor que acha que não tem obrigação com aquela criança porque ela tem uma auxiliar. Estão confundindo as funções de cada um”, disse.

Ela afirma que percebe o desgaste das profissionais no dia a dia.

“Quando vou pegar meu filho na escola, vejo o quanto a auxiliar está exausta. Isso não se faz. Se a secretaria já convocou todos e não tem mais gente para chamar, então precisa melhorar as condições dessa classe para que as pessoas queiram assumir e continuar trabalhando”, afirmou.

Por fim, a mãe voltou a cobrar mais valorização das profissionais que atuam no acompanhamento das crianças.

“É por essa falta de valorização que muitas não querem mais trabalhar na função, e elas estão com razão. O tempo de exploração já acabou, mas pelo jeito a secretaria ainda não foi informada disso”, concluiu.

Encaminhamos os relatos para a Secretaria de Educação de Juazeiro e aguardamos uma resposta.

Redação PNB

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