Profissionais de saúde que participaram do Processo Seletivo da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Juazeiro, na região Norte da Bahia, realizado pela O.S Imodernizar, entraram em contato com o Portal Preto no Branco para denunciar uma série de supostas irregularidades no resultado final da seleção. Em relatos enviados à nossa redação, os participantes questionam critérios adotados e apontam possível favorecimento indevido.
“Sou enfermeiro há 14 anos, tenho experiência e participei cumprindo todos os critérios do edital. Mesmo assim, fui desclassificado. O resultado apresenta inconsistências graves e não respeita princípios básicos como legalidade, transparência e mérito”, afirmou um dos candidatos.
Segundo os profissionais, situações consideradas incoerentes marcaram a divulgação do resultado.
“Profissionais com anos de atuação, inclusive dentro da própria UPA, ficaram de fora, enquanto pessoas com menos de um ano de formação foram colocadas nas primeiras posições”, relatou outro profissional.
As críticas também envolvem o não cumprimento das etapas do processo seletivo.
“Tem gente que está classificada e nem participou de entrevista. Isso foi comentado abertamente nos corredores. Como uma pessoa que não fez todas as etapas obrigatórias consegue ficar em primeiro lugar?”, questionou uma candidata.
Os denunciantes também levantam suspeitas de interferência política.
“Entre os nomes classificados, tem assessor do vice-prefeito e familiares de gestores. Isso levanta dúvidas sobre favorecimento. Parece que já estava tudo definido antes”, declarou um profissional.
A atuação da empresa responsável pelo processo também foi alvo de críticas.
“Disseram que a seleção seria baseada na experiência, mas o que vimos foi o contrário. Pessoas sem experiência foram chamadas, enquanto quem tem anos de serviço foi deixado de lado. É um desrespeito com quem vem trabalhando há tanto tempo”, desabafou outra participante.
Há ainda relatos de previsões antecipadas de resultados: “Teve gente dizendo antes que nem tinha feito entrevista e que seria chamada. Outra afirmou que ficaria em primeiro lugar, e de fato ficou. Isso deixa claro que há algo errado”, afirmou.
Os profissionais pedem ainda a divulgação das notas referentes ao processo seletivo, incluindo as dos candidatos não classificados.
“A disponibilização dessas informações é fundamental para garantir a transparência do processo e possibilitar a análise individual de desempenho, bem como o exercício do direito de interposição de recurso, quando cabível. Dessa forma, peço, por gentileza, que as notas sejam disponibilizadas o mais breve possível, juntamente com os critérios de avaliação utilizados”.
Diante das suspeitas, os profissionais informaram que formalizaram uma denúncia junto ao Ministério Público do Estado da Bahia.
“Já levamos o caso ao Ministério Público e queremos a suspensão imediata do processo até que tudo seja investigado. Não dá para aceitar esse tipo de situação”, disse um dos denunciantes.
O PNB teve acesso a denúncia encaminhada ao Ministério Público da Bahia. No documento, os profissionais destacam que “tais classificações ocorreram em detrimento de profissionais com mais de 10 a 14 anos de experiência comprovada, o que reforça os indícios de irregularidade e possível direcionamento no certame. Diante da gravidade dos fatos narrados, requeremos: A instauração de procedimento investigatório para apuração das irregularidades apontadas; A suspensão imediata do processo seletivo, até a conclusão das investigações; A verificação da legalidade de todas as etapas do certame, incluindo critérios de pontuação, classificação e cumprimento das fases obrigatórias; A adoção das medidas cabíveis para responsabilização dos envolvidos, caso confirmadas as irregularidades; A garantia de sigilo da nossa identidade, diante do receio de retaliações. Ressaltamos que a presente denúncia tem como objetivo assegurar a lisura do processo seletivo, a valorização do mérito profissional e, sobretudo, a segurança da população, que depende de uma assistência qualificada”.
Veja o documento na íntegra:
O grupo finaliza destacando que também pretende buscar medidas judiciais. “Estamos nos organizando para procurar uma advogada. Isso é uma injustiça e precisa ser corrigido. Estamos falando de saúde, de vidas. Tem gente sendo chamada que, em muitos casos, não tem a qualificação mínima necessária. Isso é grave e exige providências urgentes”, finaliza.
Estamos encaminhando os relatos para a Secretaria de Saúde de Juazeiro em busca de esclarecimentos.
Redação PNB



