Durante o ato de lançamento do Programa Pro Jua que aconteceu neste sábado (28), em entrevista exclusiva ao Portal Preto No Branco, o Prefeito Andrei Gonçalves, questionado sobre a atuação do Instituto de Gestão Aplicada (IGA) na atenção primária do município, não descartou a possibilidade de distrato do contrato com a Organização Social que assumiu a gestão das Unidades Básica de Saúde em janeiro deste ano.
Desde que o IGA passou a administrar as unidades, em regime de cogestão com a Secretaria de Saúde usuários e profissionais de saúde têm demonstrado insatisfação com a atuação da OS.
Entre as queixas recebidas recorrentemente pelo Portal Preto no Branco estão atrasos salariais e no pagamento do complemento do piso salarial da enfermagem, dificuldades no pagamento de benefícios, ausência de contratos formais, condições de trabalho consideradas precárias, além de cobranças consideradas excessivas no ambiente de trabalho. Neste período, aumentou também o número de reclamações de usuários em relação ao atendimento das unidades básicas de saúde do município.
“Não tenho compromisso com o erro. Se necessário for que a gente faça o destrato com a empresa, a gente vai destratar. Meu compromisso é com o povo de Juazeiro, com o povo que me elegeu para cuidar dessa cidade (…). A gente fez a experiência para que a gente pudesse melhorar o atendimento, para que a gente pudesse avançar nas necessidades de Juazeiro. Se a gente entender que é necessário fazer o destrato e voltar para o modelo anterior, não tenho dificuldade nenhuma de reconhecer que nós precisamos voltar para um outro modelo e tentar, dessa forma, melhorar, corrigir o rumo e fazer com que a cidade avance”, disse o prefeito.
Confira declaração do gestor na íntegra:
Reclamações
“Não vem dando certo, não funcionou, e a Prefeitura de Juazeiro não pode fazer vistas grossas e manter esta empresa que desde o início vem sendo pessimamente avaliada pelos trabalhadores e usuários. No primeiro ano da gestão as críticas da população e dos servidores diminuíram consideravelmente e a SESAU vinha acertando. Após a IGA assumir deu início a uma insatisfação generalizada. É preciso cortar o mal pela raiz o quanto antes”, avaliou um contratado da O.S. que pediu para não ser identificado.
“O que está acontecendo com o compromisso da gestão com o prestador de serviço? Me lembro que há quase 15 dias a Sesau informou que o repasse do piso da enfermagem já estava na conta da prefeitura em avaliação jurídica e até hoje continua? Já estamos há 3 meses sem receber o nosso piso”, questionou uma profissional.
“Até a data de hoje, 24, o piso salarial da enfermagem não foi pago, conforme a Lei nº 14.434/2022. Desde a cogestão, estamos trabalhando normalmente, mas sem receber o piso, sem prazo e sem informações claras. Isso está causando prejuízo financeiro e desvalorização da categoria. Peço providências para que o piso da enfermagem seja pago.
Queremos transparência, precisamos pagar nossas contas. A empresa não sabe responder, a gestão também não, e assim seguimos sem dinheiro e sem uma data prevista”, relatou outro profissional.
“Continuamos trabalhando sem receber o piso salarial da enfermagem. Desde o início da cogestão que estamos recebendo apenas o salário mínimo, e muita enrolação. Todo dia uma reunião nova, todo dia uma desculpa diferente e as contas acumulando. Não precisamos de desculpas, precisamos de dinheiro”, cobrou mais uma trabalhadora.
“Até o momento a IGA não pagou nenhum complemento do piso da enfermagem. Eles só ficam marcando reunião e nada se resolve. A campanha do Dia D já é sábado e só aumentam as cobranças em cima do trabalhador. Está muito complicado. Dizem que o dinheiro está na Secretaria, mas não repassam para gente e não explicam direito. A classe está desesperada”, relatou um profissional.
Outro trabalhador reforça a insatisfação. “Já são quase três meses sem a IGA pagar o complemento dos profissionais de enfermagem. Quando a gente procura a empresa, dizem que não têm informação. A gente fica sem resposta. Depois que essa empresa entrou, só piorou nossas condições de trabalho”, afirmou.
Redação PNB



