Juazeiro e Petrolina: Ligadas pela ponte, separadas pela inoperância das lideranças políticas; há quase 3 meses usuários sofrem sem o transporte público interestadual

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Pela primeira vez na história, as cidades polos do Vale do São Francisco, Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), ligadas pela Ponte Presidente Dutra, estão sofrendo com a ausência do transporte público. Uma situação inédita que já dura cerca de três meses e tem causado transtornos diários para milhares de moradores que dependem da travessia entre as duas cidades, afetando em cheio trabalhadores e estudantes.

O serviço foi interrompido no último dia 19 de janeiro após a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) identificar a operação irregular pela empresa Atlântico Transporte. A agência esclareceu ao PNB que o serviço interestadual está regularmente autorizado para operação apenas pela empresa Joafra, constando como ativo nos registros do órgão. No entanto, esclareceu que a Atlântico Transporte, que vinha operando a linha após um acordo com a Joafra, não possui autorização vigente para operar a linha.

Desde então, os usuários que dependem diariamente do sistema aguardam que os poderes públicos reajam ao que consideram “descaso” e “falta de compromisso” com a população das cidades ribeirinhas.

A inoperância das lideranças políticas de ambas as cidades tem provocado indignação crescente e cobranças por parte da população.

“É um descaso muito grande das autoridades fazerem vistas grossas a essa situação e não se mobilizarem para resolver o problema que tem afetado diretamente quem depende do transporte coletivo. Estudantes universitários estão trancando suas matrículas, trabalhadores perdendo seus empregos e a falta de respostas já passou de todos os limites. Fica provado que não existe liderança política forte nas duas cidades, pelo menos, quando a pauta é de interesse do povo”, comentou um leitor do PNB.

Muitos usuários relatam dificuldades para manter suas rotinas. O custo com transportes alternativos aumentou significativamente, enquanto o tempo de deslocamento também se tornou imprevisível.

“Estou gastando quase o dobro para ir trabalhar. Antes era um trajeto simples, agora virou um problema diário”, afirma a auxiliar administrativa Maria das Dores.

O estudante Lucas Silva destaca o impacto na educação: “Já perdi aulas importantes porque não consigo chegar no horário. Além disso, eu e muitos colegas, estamos tendo que escolher os dias de aulas mais importantes para ir para a faculdade. A gente se sente abandonado.”

Enquanto ninguém assume a responsabilidade pela regulação do transporte interestadual na região, e não há respostas concretas por parte da Agência Nacional de Transportes Terrestres, a população segue pressionando as lideranças políticas locais a intervir.

“Eles governam de costas para o povo. A gente não vê ninguém se posicionar de verdade. Onde estão os prefeitos, vereadores, deputados destas duas cidades que formam um importante polo integrado? Precisamos de uma resposta urgente, porque quem sofre é a população”.

“Não é só um transporte, é o direito de ir e vir que está sendo negado”, desabafou a diarista Ana Paula Souza.

Até o momento, não há previsão oficial para a normalização do serviço.

Redação PNB

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