Em contato com nossa redação, a moradora do Alagadiço, em Juazeiro, acusada de agredir uma profissional de saúde da UBS do bairro com gritos e ameaças, contou sua versão sobre o episódio que ocorreu na tarde desta terça-feira (7). Segundo relatos de um profissional que presenciou a cena, a situação deixou a equipe de profissionais e usuários da unidade bastante apreensivos.
Ele contou que a mulher, irmã de um paciente, que vinha realizando curativos na UBS periodicamente, após ser chamada pela equipe para receber novas orientações sobre os cuidados e espaçamento dos curativos, reagiu e agrediu a servidora.
A irmã do paciente, no entanto, criticou o atendimento recebido na unidade e disse que a profissional a recebeu com desdém, motivo pelo qual ela se exaltou.
“Esta não foi a primeira vez que tive problemas com esta funcionária. O primeiro episódio aconteceu com minha filha que foi acompanhando o tio. Eles chegaram lá às 15h40 e disseram que não fariam mais o curativo, sendo que o posto fecha 17h. Botaram o paciente para voltar e não quiseram fazer a limpeza do ferimento. Eu sou cuidadora de minha mãe que tem 87 anos e não posso ir a UBS com meu irmão. Ele passou a ir com outro irmão nosso. Esta não foi a primeira vez que ela mandou recado para eu ir aprender a fazer os curativos. Eu já tinha discutido com ela. Ontem eu fui conversar e ela me atendeu com ironia e deboche. Não digo todas, mas a maioria das funcionárias desta UBS trata a gente com ignorância. Eu fui correr atrás do direito de meu irmão de ser atendido. Ela disse que eu tinha que aprender e eu rebati dizendo que não fiz curso e não sou capacitada para fazer curativo. Eu já cuido de minha mãe, que não pode ficar sozinha. A partir do momento que ela disse que eu tinha que aprender a fazer o curativo, eu disse que essa obrigação não era minha, mas delas lá do postinho que são capacitadas e pagas para essa função. Esse é um direito que assiste o meu irmão. Nesta UBS é uma luta pra se conseguir um atendimento. Botam banca pra resolver um problema das pessoas que vão lá. Tratam com indiferença, nem olham pras pessoas, falam com autoritarismo. Esta não foi a primeira vez e já aconteceu com outras pessoas que buscam atendimento e são maltratadas. São péssimas no atendimento. Não olham pra população. Se não quiserem trabalhar, que deem espaço espaço para quem quer e tem interesse em atender o povo bem. Quando se chega lá pra marcar um atendimento, é uma burocracia. Fizeram pouco da minha cara e foi aí que eu me exaltei”.
Ela denunciou ainda que na unidade não tem material para fazer curativo e a família é que tem arcado com este custo.
“Somos nós da família que estamos comprando o material do curativo, pois informaram que lá não tem. De outra vez, iam botando meu irmão pra voltar sem fazer o curativo, alegando que não tinha material e foi aí que saímos para comprar, pois ele não pode ficar sem fazer essa limpeza. Então, nós estamos tirando do bolso para comprar. Onde já se viu uma UBS não ter material para fazer um curativo? E o médico dele, da SOTE, disse que o curativo era pra ser feito diariamente e não de 2 em dois dias”, finalizou a irmã do paciente.
O outro lado
“A profissional foi surpreendida pela usuária que, de forma descontrolada, agrediu a servidora que estava acompanhando uma outra colega na realização de um curativo. A funcionária foi agredida de forma verbal, emocional, intimidativa e psicológica e, por muito pouco, não aconteceu agressão física. Os curativos vinham sendo realizados a cada 2 dias há mais de meses, mas como já está em processo de cicatrização, a orientação médica foi a de espaçar a periodicidade para uma vez por semana. A profissional então, pediu ao paciente, irmão da agressora, a trazer alguém que fosse responsável pelo cuidado dele, para orientação adequada nos cuidados diários e realizar uma avaliação semanal por um profissional qualificado até o retorno ao médico. Foi então que a mulher, bastante exaltada, sentiu-se no direito de se dirigir até a servidora e fazer um verdadeiro espetáculo de agressão. A funcionária em nada revidou. A mulher foi orientada a conversar com a gerência do serviço e a mesma se recusou dizendo que não ia conversar com ninguém e que queria fazer um barraco”, contou um profissional que estava no momento.
Dada a situação que, segundo ele, acontece com certa frequência e vem afetando a saúde mental dos profissionais surge a necessidade de garantir mais segurança nas unidades.
“Repudiamos este tipo de comportamento que vem acontecendo com os profissionais de saúde. O nível de agressão de alguns usuários, sem nenhuma propriedade, tem afetado nossa saúde mental. Reforçamos a urgente necessidade de contratação de um agente de portaria para nos garantir mais segurança e também que a Sesau desenvolva alguma forma de dá apoio à saúde mental dos servidores. Além disso, é importante que orientem a população quanto ao crime cometido ao desacatar um funcionário público no exercício em seu ambiente de trabalho. A situação que vivenciamos hoje gerou bastante desconforto tanto na equipe como nos usuários que aguardavam atendimento. A funcionária agredida, contratada da empresa IGA, nem uma ligação ou apoio recebeu da empresa. Ela está bastante abalada, teve crise de choro persistente e teme pela própria vida diante das ameaças feitas pela agressora. Como ela afirmou que irá voltar nesta quarta-feira, a equipe está apreensiva. Solicitamos um agente de portaria e esperamos que nos atendam”, finalizou o profissional.
A reação da mulher foi registrada em um vídeo em que ela, gritando com a profissional, diz não “ter obrigação de fazer curativo no irmão”. Ela afirma ainda que com ela é “cara a cara” e que iria “dá parte da funcionária”.
Redação PNB



