Lula e Motta se reúnem para debater envio de projeto do fim da escala 6×1

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), se reúnem nesta terça-feira, em almoço no Palácio do Planalto, segundo a assessoria de Motta. O objetivo é alinhar o envio do projeto de lei que trata do fim da escala de trabalho 6×1. O encontro ocorre após uma sequência de ruídos entre governo e Congresso sobre o envio e o formato da proposta e é tratado, nos bastidores, como uma tentativa de sincronizar Executivo e Legislativo em torno de uma pauta que ganhou tração política nas últimas semanas.

No fim de semana, Motta havia dito ao GLOBO que o encontro aconteceria nesta semana.

A ideia do governo é enviar um projeto com pedido de urgência, o que obrigaria a Câmara a analisar a proposta em prazo determinado, sob risco de travamento da pauta. Auxiliares do presidente afirmam que a estratégia passa por dividir a tramitação com a proposta que já está em curso na Casa, evitando que o tema fique concentrado apenas na PEC.

A proposta em elaboração prevê a redução da jornada de trabalho sem corte de salários, sob o argumento de que ganhos de produtividade permitiriam sustentar a mudança. No Planalto, o tema é tratado como uma das principais vitrines sociais do governo e visto como uma agenda com forte apelo popular, especialmente em um ambiente pré-eleitoral.

O movimento do Executivo, porém, abriu uma frente de desencontro com a Câmara. Na semana passada, Motta afirmou que o governo teria recuado do envio de um novo texto, versão negada pelo Planalto poucas horas depois. No dia seguinte, Lula voltou a afirmar publicamente que enviaria a proposta ainda nesta semana, o que não se concretizou até agora.

Do lado da Câmara, a leitura é que o Congresso já tem instrumentos para tratar do tema. Tramita na Comissão de Constituição e Justiça uma proposta de emenda à Constituição que prevê a redução da jornada e a adoção de modelos como o 5×2. Motta tem sinalizado que a eventual chegada de um projeto do Executivo não deve interromper o andamento da PEC, o que amplia o risco de sobreposição entre as iniciativas.

A avaliação de aliados de ambos os lados é que faltou coordenação política inicial e que o almoço desta terça-feira tem como objetivo justamente organizar o rito de tramitação, definir protagonismo e evitar conflito entre as propostas. A expectativa é que governo e Câmara tentem construir uma estratégia combinada, com divisão de etapas ou até convergência de textos.

Hoje, a escala 6×1 — seis dias de trabalho para um de descanso — é comum em setores como comércio e serviços, e sua revisão passou a mobilizar diferentes correntes no Congresso. Apesar do apelo social, a proposta enfrenta resistência de representantes do setor produtivo, que apontam risco de aumento de custos e impacto sobre a produtividade.

Alcolumbre reencontra Lula

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também deve comparecer ao Planalto para a posse de José Guimarães. A presença é tratada como um gesto de distensão após meses de desgaste na relação entre o senador e o governo.

Os dois se afastaram durante a crise aberta em torno da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O presidente do Senado se irritou com a escolha e, desde então, passou a adotar uma postura mais distante na condução da pauta do governo.

Interlocutores de Alcolumbre afirmam que a ida ao Planalto ocorre mais pela relação com Guimarães do que por um gesto direto de reaproximação com Lula. Ainda assim, a leitura entre aliados é que o movimento ajuda a reabrir canais de diálogo em um momento em que o governo tenta recompor sua articulação política no Congresso.

O Globo

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