Henrique Ferreira, acusado de ter assassinado o jovem Jorge Cauã Castro dos Santos, 19 anos, foi condenado a 14 anos e 6 meses por homicídio qualificado no julgamento que aconteceu na tarde desta quarta-feira (22), no Fórum Conselheiro Luiz Viana Filho, em Juazeiro.
O crime aconteceu no dia 8 de abril de 2023, no bairro Alto do Cruzeiro, quando a vítima foi atingida por um golpe de arma branca.
Henrique Ferreira foi preso dois anos depois do crime, em abril de 2025, no município de Camaçari.
Em um texto enviado ao PNB, Claudemira, mãe Jorge Cauã, expressou sua insatisfação com o resultado.
“O dia mais esperado finalmente chegou. O júri popular do homem que destruiu uma família aconteceu. Havia, no coração de todos, uma mistura de ansiedade, dor e esperança. A esperança de que, dessa vez, a justiça olharia nos olhos de uma mãe ferida e responderia à altura da dor que ela carrega todos os dias.
Foram horas de julgamento. Horas que pareciam não passar, porque cada minuto ali carregava o peso de uma vida que não volta mais. E então veio a sentença. Quatorze anos.
Quatorze anos… para uma vida inteira interrompida. Para sonhos que foram enterrados. Para abraços que nunca mais serão dados. Para uma mãe que nunca mais ouvirá o “mãe” sendo chamado com amor.
É impossível não se perguntar: quanto vale uma vida? Isso vai trazer Jorginho de volta? Não. Nunca vai. O silêncio que ficou é permanente. O vazio à mesa, o quarto que já não tem risos, as lembranças que agora doem… nada disso será reparado. Mas, ainda assim, esperava-se ao menos um mínimo de conforto, um sinal de que a justiça reconheceria a dimensão dessa perda.
E hoje, o que se sente é que a dor ficou ainda mais pesada. Dói saber que quem tirou uma vida a sangue frio, que teve consciência suficiente para tentar se esquivar das consequências, recebeu uma pena que parece tão pequena diante de um ato tão irreversível. A
verdade machuca: nem sempre a justiça é justa. E enquanto a família da vítima tenta aprender a sobreviver com a ausência, existe outra realidade acontecendo. Existe uma mãe que pode visitar o filho todos os domingos, olhar nos olhos dele, tocá-lo, abraçá-lo, ouvir sua voz… ter a presença que, mesmo entre grades, ainda existe. Já a outra mãe … Essa caminha até um cemitério. Essa conversa com o silêncio. Essa abraça lembranças. Essa tenta, todos os dias, encontrar forças para continuar vivendo com um pedaço de si enterrado. Ela não tem visitas aos domingos. Ela tem saudade todos os dias. Ela não tem abraços. Ela tem lágrimas. Ela não tem mais o filho. E nenhuma sentença no mundo será capaz de preencher esse vazio”.
O crime
Claudemira Castro contou que o filho e mais dois amigos, passavam pela porta do acusado Henrique Ferreira, na tarde do crime, quando perceberam que ele estava agredindo a mãe.
Os jovens entraram na residência na intenção de acalmar acusado.
“Eles se conheciam desde pequenos. O autor do crime já comeu e bebeu na minha casa. Ele frequentava minha casa. Eles subiram e foram acalmar o assassino que estava agredindo a mãe. Meu filho deu banho nele, tocou violão pra ele e deixou ele no quarto, achando que ele estava mais calmo. Ao descerem as escadas, sendo que meu filho era o último, pois os amigos estavam na frente, recebeu um golpe de punhal no pescoço”, relatou.
A mãe da vítima contou ainda que foi avisada pela avó do acusado, que mora em frente a sua casa, de que o filho havia sido golpeado.
“Eu estava em casa quando a avó dele me avisou que seu neto tinha matado meu filho. Corri desesperada e vi ele agonizando na escada. Meu filho foi levado para o hospital, mas não resistiu e morreu no sábado à noite”, contou a mãe.
Logo após o crime, a Polícia Militar prendeu o acusado, que foi agredido por populares e estava imobilizado, segundo a corporação.
“O acusado foi levado ao Hospital de Traumas em Petrolina – PE, pois apresentava lesões adquiridas por conta da sua imobilização por parte da comunidade, permanecendo acompanhado por Policiais Militares até que foi conduzido à Delegacia de polícia Civil, para a lavratura em Flagrante pelo crime de Homicídio”, informou a PM.
No entanto, na noite do dia 9, uma ordem judicial liberou Henrique Ferreira da prisão.
“Eu enterrei meu filho no domingo de manhã e à noite o assassino já estava solto. Uma juíza de plantão liberou ele, sem nem passar por audiência de custódia. Isso é muito revoltante! Que justiça é essa? Estou indignada com esta decisão injusta e cruel para qualquer família. Quero justiça! Não aceito esta impunidade”, clamou a mãe da vítima na época.
Redação PNB



