A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de suspender alguns produtos da empresa conhecida como “Ypê”, medida técnica, preventiva e respaldada por protocolos sanitários, está sendo arrastada para um terreno perigoso: o da desinformação e da exploração política.
Em vez de prevalecer o bom senso e o respeito às instituições, o que se vê é um movimento barulhento, alimentado por setores ligados à extrema-direita e ao bolsonarismo, que tenta desqualificar a atuação do órgão regulador.
O mais grave é que há quem transforme a própria saúde em instrumento de militância, incentivando comportamentos de risco e ainda exibindo isso nas redes sociais como se fosse um ato de coragem quando, na verdade, é um ato de irresponsabilidade e exibição da própria ignorância.
A Anvisa não é um ente abstrato ou ideológico. Trata-se de uma autarquia federal criada para proteger a saúde da população brasileira. Sua competência é clara: regulamentar, fiscalizar e controlar produtos e serviços que possam representar riscos sanitários. De medicamentos a alimentos, de cosméticos a insumos hospitalares, tudo passa pela inspeção do órgão. Quando a agência determina a suspensão de um produto, não o faz por capricho, tampouco por motivação política. A ação tem base em critérios técnicos, análises laboratoriais e no princípio da precaução.
Ignorar uma determinação da Anvisa não é um gesto de liberdade individual, mas uma ação deliberada que põe em risco a coletividade. É estímulo para outras pessoas desrespeitarem normas sanitárias, banalizando possíveis danos à saúde. Uma ação dolosa, pois há consciência do risco e, ainda assim, se insiste em promovê-lo.
O que se observa, no entanto, é uma tentativa deliberada de descredibilizar instituições públicas para alimentar narrativas políticas. Esse tipo de comportamento não é novo e segue sendo extremamente nocivo. Foi assim com a vacina contra a Covid-19, atacada pelos negacionistas e até por autoridades que deveriam dá exemplo. Ao atacar órgãos técnicos, ignora-se a ciência, abre-se espaço para o caos informacional, onde opiniões passam a valer mais do que evidências e onde a saúde pública vira refém de disputas ideológicas.
É preciso dizer com todas as letras: transformar uma recomendação sanitária em palanque é um desserviço. Incentivar o consumo de produtos sob suspeita, fazer demonstrações públicas de uso como forma de afronta e ainda disseminar isso nas redes sociais não é apenas imprudência é um atentado à coletividade.
Num país que ainda enfrenta desafios enormes na área da saúde, enfraquecer a confiança em instituições como a Anvisa é caminhar na contramão do interesse público. O debate é legítimo, a crítica também. Mas desinformar, distorcer e colocar vidas em risco não pode ser tratado como liberdade de expressão.
Mais do que nunca, é necessário um chamado à responsabilidade. A saúde não pode ser campo de batalha ideológica. Respeitar a ciência, as instituições e as normas sanitárias é, antes de tudo, um compromisso com a vida.
Redação PNB, por Sibelle Fonseca



