Advogado e palestrante de simpósio sobre igualdade racial denuncia abordagem violenta da PM em Juazeiro; Univasf e sindicato repudiam ação e cobram apuração

0

 

A Reitoria da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e o Sindicato dos Docentes da instituição se manifestaram publicamente em solidariedade ao advogado Daniel Martins, integrante da Educafro e palestrante do 2º Simpósio sobre Questão Racial da Univasf, que denunciou ter sido alvo de uma abordagem policial considerada violenta após participar do evento acadêmico. O caso aconteceu quando ele retornava para um hotel em Juazeiro, no norte da Bahia.

Segundo nota divulgada pela Reitoria da Universidade, Daniel Martins foi abordado por uma guarnição da Polícia Militar da Bahia enquanto seguia para o hotel após as atividades do simpósio. Ainda de acordo com as entidades, o advogado tentou apresentar sua identificação profissional no momento da abordagem, mas acabou sendo imobilizado e algemado pelos policiais, mesmo sem apresentar reação que justificasse a medida.

As entidades destacaram ainda que consideram grave que situações desse tipo ocorram contra participantes de um evento acadêmico voltado à promoção da equidade racial e defesa dos direitos humanos. O sindicato também defendeu a responsabilização dos envolvidos e o fortalecimento de políticas de combate ao racismo institucional nas corporações policiais.

Confira as notas das entidades

Nota de solidariedade da Univasf

“A Reitoria da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) vem a público manifestar sua integral solidariedade ao advogado Daniel Martins, gestor do Núcleo Jurídico da Educafro e palestrante do 2º Simpósio sobre Questão Racial da Univasf. Com indignação, tomamos conhecimento de que, ao retornar para o hotel em Juazeiro (BA), após participação no Simpósio, foi abordado por guarnição da Polícia Militar. Mesmo tentando apresentar sua identificação foi imobilizado e algemado (medida de caráter estritamente excepcional), sem apresentar reação que justificasse tal conduta.
Daniel Martins é membro da Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil – São Paulo (OAB-SP). Tem especial atuação no empoderamento da população negra a partir das oportunidades educacionais e defesa de direitos fundamentais. Profissional que abrilhantou nosso evento, também tem experiência no âmbito do Direito Tributário, Administrativo e Societário.
De acordo com a própria formação institucional dos agentes de segurança, a atuação policial deve estar pautada pelos princípios da legalidade, proporcionalidade e respeito à dignidade humana. E isto é válido para qualquer pessoa. No entanto, um advogado negro, participante e palestrante de um evento sobre reparação e direitos, equidade racial e combate ao racismo, torna a situação ainda mais grave.
O 2º Simpósio sobre Questão Racial da Univasf, realizado entre 13 e 15 de maio de 2026, no Cineteatro do Campus Sede, em Petrolina (PE), é evento de projeção nacional e inclusive teve em 2026, como um de seus pontos altos, a concessão do título de Doutor Honoris Causa a uma das pessoas mais destacadas na defesa dos direitos do povo negro e contra o racismo em nosso país: Frei David Santos.
Assim, a Reitoria da Univasf se coloca à disposição de Daniel Martins para reivindicarmos apuração rigorosa dos fatos e dos responsáveis.”

Nota da Sindunivasf

“A Diretoria do Sindicato dos Docentes da Universidade Federal do Vale do São Francisco (SINDUNIVASF) manifesta repúdio à violência praticada por agentes da Polícia Militar da Bahia contra Daniel Martins, advogado, integrante da EDUCAFRO e participante do 2º Simpósio sobre Questão Racial: Ações Afirmativas, Reparação e Garantia de Direitos, realizado em Petrolina pelo Observatório Opará, grupo de pesquisa e extensão da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), em parceria com a SINDUNIVASF e outras instituições.
Daniel Martins foi abordado de forma agressiva ao retornar para o hotel após participar das atividades do evento. Mesmo tentando apresentar sua identificação profissional, foi imobilizado e algemado, sem apresentar reação que justificasse tal conduta. O episódio expõe mais uma vez a gravidade de abordagens policiais marcadas por abuso de autoridade e racismo institucional.
É inadmissível que situações como essa continuem ocorrendo, especialmente contra um participante de um evento voltado justamente ao debate sobre direitos humanos, equidade racial e combate ao racismo. A atuação policial deve estar submetida aos princípios da legalidade, proporcionalidade e respeito à dignidade humana.
A SINDUNIVASF manifesta solidariedade a Daniel Martins e à EDUCAFRO, entidade com importante atuação na defesa dos direitos da população negra e no enfrentamento das desigualdades raciais no Brasil.
Defendemos a apuração rigorosa dos fatos e a responsabilização dos envolvidos. Também consideramos fundamental o fortalecimento de políticas de formação e combate ao racismo institucional no âmbito das forças de segurança pública.”

Redação PNB

DEIXE UMA RESPOSTA

Comentar
Seu nome