Governo do Estado abre apuração sobre o Hospital Regional de Juazeiro e nega atraso nos repasses

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Após denúncias sobre novos atrasos no pagamento de médicos que atuam no Hospital Regional de Juazeiro, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) afirmou que os repasses à entidade responsável pela gestão da unidade estão sendo realizados regularmente. Em nota enviada ao Portal Preto no Branco, o órgão informou que já notificou as Obras Sociais Irmã Dulce (OSID) para esclarecimentos e anunciou que adotará medidas administrativas para apurar a situação.

Confira a nota na íntegra:

A Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) realiza pagamentos regulares e consecutivos a todos os fornecedores, incluindo as Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), que fazem a gestão do Hospital Regional de Juazeiro (HRJ). O último pagamento foi efetuado em 06 de abril de 2026, no valor de R$ 12.767.971,07. Diante da denúncia de falta de pagamento aos médicos da unidade, a Sesab já notificou a OSID, que informou não haver atraso no repasse aos profissionais. Ainda assim, a Secretaria adotará medidas administrativas adicionais para apurar detalhadamente a situação, uma vez que o Governo do Estado cumpre rigorosamente seu compromisso financeiro. A Sesab reforça que não tolerará qualquer descompasso entre os valores pagos pelo Estado e as obrigações da entidade gestora, e tomará todas as providências cabíveis para garantir transparência, regularidade e respeito aos profissionais de saúde e à população atendida.

Denúncias

A crise enfrentada pelo Hospital Regional de Juazeiro ganhou novos capítulos após denúncias de pacientes e profissionais de saúde revelarem um cenário de colapso na unidade administrada pela OSID- Obras Sociais Irmã Dulce. Superlotação, pacientes em macas nos corredores, demora no atendimento, cancelamentos de consultas, exames e cirurgias, além de atrasos salariais e no pagamento aos fornecedores, vêm provocando revolta popular e aumentando a pressão sobre o Governo do Estado.

A situação voltou a repercutir após a filha de uma paciente de 61 anos, diagnosticada com câncer de mama, denunciar ao portal Preto no Branco os sucessivos cancelamentos da consulta oncológica necessária para o início urgente do tratamento da mãe.

Após a publicação da denúncia, profissionais da própria unidade procuraram a reportagem e confirmaram a gravidade da situação no setor de oncologia do hospital.

“Estamos vivendo um cenário de caos. Médicos sem receber, profissionais adoecidos psicologicamente e pacientes aguardando tratamento sem qualquer previsão. Isso é desumano”, relatou uma funcionária da UNACON que pediu anonimato.

Segundo ela, os atrasos salariais já atingem os meses de março e abril e comprometem diretamente o funcionamento da assistência oncológica.

“A saúde pública não pode funcionar às custas do sacrifício pessoal dos profissionais. Os médicos estão sem receber e, mesmo assim, continuam atendendo os casos mais graves por humanidade”, afirmou.

A profissional enviou ainda à reportagem um comunicado encaminhado pelo próprio hospital a pacientes informando o cancelamento de consultas agendadas sem nova previsão de atendimento.

Outro servidor classificou o cenário interno da unidade como “crítico e preocupante”.

“Tem paciente morrendo sem assistência, funcionário pressionado moralmente, sem salário e trabalhando sem motivação. O silêncio tomou conta do hospital porque existe muito medo. Demitiram médicos experientes e estão contratando profissionais novos por indicação política. Agora inventaram de fazer consulta na emergência, por telemedicina. Eletiva até vai, mas na urgência, sem botar a mão no paciente, é muita irresponsabilidade. O Governo do Estado precisa fazer uma intervenção urgente”, denunciou.

As denúncias reforçam reclamações recorrentes recebidas pelo PNB nos últimos meses. Pacientes relatam longas horas de espera na emergência, corredores lotados, falta de leitos e cancelamentos frequentes de procedimentos médicos.

Leitores do portal também passaram a cobrar diretamente uma postura mais firme do governador Jerônimo Rodrigues diante da crise.

“O governador precisa enxergar o que está acontecendo em Juazeiro. A população está sofrendo e ninguém toma providência. Isso já virou um problema político também”, comentou um leitor.

Outro internauta afirmou que o desgaste da situação pode ter impacto eleitoral caso o Estado continue sem apresentar soluções efetivas.

“Saúde é prioridade para o povo. Em ano eleitoral, o Governo não pode fingir que não está vendo o caos do Hospital Regional. A conta política vai chegar, mas ainda há tempo”, declarou.

Há ainda quem defenda abertamente a saída da OSID da administração da unidade.

“A OSID perdeu completamente o controle da situação. O hospital precisa de uma intervenção imediata e de uma nova gestão. O povo e os funcionários não aguentam mais tanto sofrimento”, afirmou uma leitora.

Redação PNB

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