Às 07 horas e 17 minutos de uma manhã de quarta-feira …
É impressionante como o asfalto muda, os viadutos avançam, mas o comportamento de quem dirige, de quem pilota e de quem trafega pela cidade, parece travado no passado. O meu desabafo sobre o trânsito do Vale do São Francisco — com um peso compreensivelmente maior para Juazeiro — toca numa ferida dolorosa, que precisa se mexida. A infraestrutura sem educação é apenas concreto inútil.
Cruzar a Ponte Presidente Dutra e circular por Juazeiro e Petrolina todos os dias, virou um teste diário de sobrevivência e paciência. As cidades crescem, o progresso visual chega, e as promessas de mobilidade urbana ganham forma com a construção de viadutos. Mas a verdade nua e crua é uma só. Não adianta erguer quatro, cinco ou dez viadutos se as pessoas insistem em dirigir como se fossem donas da rua.
O que se vê hoje, especialmente nas vias de Juazeiro, é uma afronta diária ao Código de Trânsito Brasileiro. Aliás, parece que cada condutor, que cada motociclista, que cada pedestre resolveu criar o seu próprio código particular, onde o egoísmo é a única regra obrigatória.
A faixa de pedestre está numa capa invisível. Ninguém enxerga a faixa pintada no chão. Ela virou mero enfeite decorativo. Motoristas e motociclistas ignoram solenemente o cidadão que tenta atravessar a pé. Respeitar o pedestre virou raridade, uma “gentileza” opcional, quando na verdade é uma obrigação legal e moral.
O comportamento de grande parte dos motociclistas transformou o trânsito em uma roleta russa. O corredor entre os carros não é mais um espaço de passagem prudente. virou uma pista de corrida particular. Costurando o tráfego, forçando brechas milimétricas e raspando em retrovisores, muitos pilotam como se fossem invencíveis, esquecendo que a pressa deles coloca a vida de todos — inclusive a deles mesmos — em risco iminente.
A maioria só dá a desculpa das obras. Eu não entendo. Reclamam que não tem obras e quando tem, reclama também. Eu lanço um desafio de quem fez ou vai fazer reforma na sua casa…você muda de casa, vai para um hotel? Creio que não. A gente conserta a casa consertando… Sim, a cidade está em obras. Sim, os desvios irritam e o fluxo trava. Mas o canteiro de obras deveria exigir mais paciência, e não servir de licença para a barbárie. O trânsito congestionado virou a desculpa perfeita para trancar cruzamentos, avançar sinais e ignorar as preferências.
A realidade é claríssima. O asfalto novo não substitui a falta de berço. O viaduto moderno não esconde a falta de cidadania. Se quem está ao volante ou no guidão continuar escolhendo a lei da selva urbana, o Vale do São Francisco continuará travado. Podem entregar a maior obra de engenharia da história da região. Enquanto a mentalidade de “levar vantagem em tudo” não mudar, continuaremos sendo reféns de um trânsito violento, estressante e, acima de tudo, inculto.
Gente, educação não vem na carteira de habilitação, vem da consciência de cada um. Já passou da hora de Juazeiro e Petrolina aprenderem a rodar civilizadamente.
Cuidemos das nossas vidas!!!!
Ana Patrícia Gadelha da Costa Silva, Pedagoga



