Uma moradora de Juazeiro, no Norte da Bahia, procurou o Portal Preto no Branco para denunciar uma agressão sofrida pelo ex-companheiro e relatar a sensação de insegurança que enfrenta após a liberação do suspeito. Segundo a vítima, o homem foi preso após a agressão, mas deixou a prisão no dia seguinte, situação que tem causado revolta e preocupação.
“Eu fui agredida pelo meu marido, que hoje é meu ex. O que eu acho interessante é o descaso. Ele me deu um soco no rosto, foi preso no sábado (13) e no domingo (14) já estava solto. Hoje ele está trabalhando em um hotel normalmente, frequentando bares, conversando com os amigos, como se nada tivesse acontecido”, desabafou.
A mulher contou que a agressão aconteceu após ela retornar do trabalho.
“Eu trabalho de segunda a segunda. Quando cheguei, ele começou a me xingar, falar palavrões e me difamar, dizendo que eu tinha muitos homens. Ele gosta de beber e bebe todos os dias. Nesse dia, ele mesmo disse que estava bebendo desde as 11h da manhã. Ele sempre me agredia verbalmente. Eu fazia de conta que não estava ouvindo, mas entendia que, mais cedo ou mais tarde, algo pior poderia acontecer. Eu imaginava que uma agressão física pudesse acontecer por causa da bebida”, relatou.
Apesar de reconhecer o atendimento recebido após o caso, a vítima questiona o que considera uma sensação de impunidade.
“Fui muito bem assistida pela DEAM, pelos policiais, pela ronda que tem me acompanhado. Passei pela assistente social, vou passar pela advogada e pelo psicólogo. Fui atendida na UPA. Não tenho do que reclamar do atendimento. Mas fica o sentimento de descaso quando a pessoa agride uma mulher, é presa e no outro dia está vivendo normalmente. Eu estou com medida protetiva, mas ele anda por todo lugar. A sensação que eu tenho é que ele está livre para entrar e sair onde quiser, enquanto eu fico com medo. Parece que o certo virou errado e o errado virou certo”, lamentou.
Mãe de uma criança pequena, ela diz que a situação tem afetado toda a família.
“Eu sou mãe, tenho uma filha pequena que mora comigo. Minha mãe é idosa, tem Alzheimer. A gente fica pensando: quer dizer que agora eu tenho que viver presa dentro da minha própria casa?”, questionou.
Por fim, ela disse esperar que sua história sirva de alerta para outras mulheres.
“O que ele fez comigo pode fazer com qualquer outra pessoa. Hoje eu estou machucada física e emocionalmente. Quero que as pessoas entendam que violência contra a mulher não pode ser tratada como algo normal”, concluiu.
O PNB está em contato com a DEAM em busca de informações sobre o caso.
Redação PNB



