A infestação de muriçocas segue provocando revolta e indignação entre os moradores de Juazeiro, na região Norte da Bahia. As reclamações se multiplicam em diferentes regiões da cidade, e a população afirma que o problema atingiu um nível insustentável.
Nas últimas semanas, leitores do Portal Preto no Branco relataram noites sem dormir, prejuízos à saúde, dificuldades para cuidar de crianças e idosos e a sensação de abandono diante da falta de medidas efetivas para combater a proliferação dos insetos.
Nossa reportagem tem solicitado, insistentemente, esclarecimentos à gestão municipal sobre as ações de controle e combate ao mosquito que estão sendo desenvolvidas pela SESP-Secretaria de Serviços Públicos. No entanto, a pasta tem silenciado sobre o problema, o que deixa transparecer que nenhuma medida vem sendo adotada para enfrentar a situação que atinge diretamente à população.
Indignação geral
“É uma indignação geral. A população não aguenta mais. Não existe bairro livre das muriçocas. O problema está espalhado pela cidade inteira e a situação parece estar completamente fora de controle. É muita falta de respeito com a população. Estamos passando noites insuportáveis. Uma noite mal dormida significa um dia inteiro de irritação, cansaço e baixa produtividade. Estamos sentindo na pele o sofrimento causado por essa infestação e ninguém apresenta uma solução”, desabafou um morador.
A situação é ainda mais delicada para famílias que convivem com pessoas acamadas ou com problemas de saúde. Um drama vivido dentro de casa.
“Temos uma pessoa cadeirante na família e estamos revoltados. Ele não pode usar inseticida por causa de problemas respiratórios e nem ar-condicionado. O único recurso é o repelente, mas não resolve. Ele passa o dia na cama ou em uma cadeira de rodas e as muriçocas atacam o tempo todo. É desumano! Ele e toda a família têm sofrido bastante com essa situação. Como munícipe, o sentimento é de abandono. Como editora deste veículo, que ouve o sofrimento da população e cobra respostas ao poder público, a sensação é a de que a prefeitura não se manifesta porque nada vem sendo feito”, declarou a cidadã juazeirense e mãe atípica, Sibelle Fonseca.
A mãe de uma bebê de apenas dois meses de idade também relatou os transtornos que tem enfrentado devido à situação.
“Tenho uma filha de apenas dois meses e estamos enfrentando noites muito difíceis. Ela ainda não pode usar repelente e, mesmo com mosquiteiro e ar-condicionado, continua sendo atacada. O rostinho dela está cheio de marcas das picadas. É uma sensação de impotência muito grande. Parece que esse problema nunca vai ser resolvido. Falta vontade dos gestores para enfrentar essa situação”, declarou.
Ausência de ações por parte do poder público
“Ninguém vê nenhuma iniciativa concreta para resolver o problema. Nem todo mundo tem condições de comprar um ar-condicionado. Muitas famílias sequer possuem ventilador. Como essas pessoas estão conseguindo dormir com essa quantidade de muriçocas? Parece que ninguém está olhando para essa realidade”.
“Gostaríamos de fazer um apelo por toda a população de Juazeiro. Estamos sofrendo com tantas muriçocas. Por favor, gestores, tomem uma atitude, limpem os canais. É vergonhoso ver a cidade nessa situação enquanto as pessoas perdem noites de sono e qualidade de vida”.
Continuamos aguardando uma resposta da Prefeitura de Juazeiro.
Reclamações anteriores
O problema antigo se intensificou nas últimas semanas e já é considerado “insuportável” por quem vive tanto no centro quanto em áreas periféricas da cidade. Leitores do Portal Preto No Branco têm relatado uma situação alarmante. Denúncias enviadas na semana passada, já alertavam sobre o aumento na quantidade de insetos, que tem tirando o sono e a paciência dos moradores dos mais diversos bairros da cidade.
“Não está normal. A gente não consegue mais ficar dentro de casa. É uma coisa absurda, desesperadora”, desabafou um morador que entrou em contato com nossa reportagem.
“Ninguém consegue assistir televisão, nem sentar na porta de casa, dormir muito menos. É muriçoca o tempo todo. A gente passa repelente, fecha a casa, mas não resolve. Aqui em casa a gente tá tirando de pá”, relatou uma moradora do Sol Levante.
Os bairros mais afetados são aqueles localizados próximos a canais que cortam a cidade. A falta de limpeza constante favorece a proliferação dos insetos.
“Aqui no Novo Encontro a gente tem sofrido muito. O desconforto está demais. Agora, até de dia, elas estão atazanando. Está impossível dormir. As crianças sofrem, os idosos também. Precisamos de uma solução urgente”, relatou uma moradora do bairro.
A população cobra ações imediatas do poder público.
“Precisam urgente fazer a limpeza dos canais e adotar medidas de controle para conter a proliferação das muriçocas. Até o momento, não temos percebido ações eficazes que consigam reduzir o problema. O sentimento da população é de abandono e desespero.
“A gente fica acuado, sem ter a quem recorrer. Juazeiro é refém deste problema que cresce a cada dia. Somente no início das gestões, eles mostram trabalho e atacam o problema, mas depois largam de mão e a população que se lasque”, desabafou um morador do Cajueiro.
Redação PNB



