“Mulher vota estatisticamente muito mal, principalmente as mulheres solteiras”, essa foi a declaração do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, aliado próximo do núcleo político da família Bolsonaro. A fala revela, sem filtros, o que existe de mais profundo e mais preocupante em determinados pensamentos de pessoas ligadas à extrema direita.
Como é comum nestes tipos, o comentário, não apresenta dados, pesquisas ou estudos que embasem suas afirmações sobre o comportamento eleitoral das mulheres e ocorreu durante uma transmissão ao vivo em seu canal no YouTube.
Como mulher e mãe de mulheres sinto-me profundamente aviltada com o pensamento que não apenas ofende, mas reforça uma visão de mundo estruturalmente machista, perversa, autoritária e profundamente desrespeitosa.
Você, mulher que me ler agora, não se sente assim?
Confesso que, evitando conteúdos tóxicos, não acompanhava este tal influenciador que coleciona milhares de seguidores e seguidoras e, sem nenhum pudor, ataca as mulheres, que correspondem a mais de 50% dos eleitores brasileiros. Um ataque explícito à democracia.
O bolsonarista vai ainda mais longe ao afirmar que as casadas tenderiam a acompanhar o voto do marido, ou seja, a mulher tutelada por um homem. Inacreditável ouvir isso em pleno século XXI, quando lutamos por igualdade de direitos e por mais mulheres nos espaços de poder. É um retrocesso histórico!
Não se trata de uma opinião isolada ou de um deslize retórico. Trata-se de uma concepção clara de inferiorização da mulher como sujeito político.
Esse representante da extrema-direita ultrapassa qualquer limite mínimo de urbanidade e recorre à vulgaridade grotesca quando diz que podem “arrancar os pentelhos das calcinhas” e que feministas teriam “mais pentelhos ainda”.
Isso não é apenas machismo. É desprezo. É ódio travestido de opinião. É a tentativa deliberada de rebaixar mulheres ao nível mais reles possível, atacando seus corpos, sua intimidade e sua dignidade.
Vejamos: Esse tipo de fala não nasce do nada. Não é só uma “fala infeliz”, “fora de contexto”. É a exposição crua de um pensamento que existe na extrema direita. Ambiente político que, de uns anos para cá, se sente muito confortável para falar em voz alta todo tipo atrocidade. Selvagens!
São machos escrotos que se sentem ameaçados por mulheres independentes, que tratam o feminismo como ofensa, e tremem com a autonomia feminina. Porque uma mulher que pensa, que decide, e que vota sem pedir permissão é uma ameaça direta a quem sempre oprimiu e contou com o silêncio e a submissão.
Tipos assim se incomodam com mulheres solteiras, livres. A mulher sem o controle do marido, é tratada como um erro, um desvio, um perigo. Já a mulher casada só é aceitável se for com a tutela do homem. Isso não é coincidência. Isso é protejo político.
E é justamente por isso que não pode ser relativizado, normalizado. Repito: principalmente, por nós, mulheres. Porque quando alguém diz que mulheres votam mal, o que está dizendo, no fundo, é que mulheres não deveriam decidir. Um acinte à democracia!
Não é um comentário jogado ao vento, é uma fala que dialoga com o pensamento político que, reiteradamente, demonstra dificuldade em lidar com mulheres como protagonistas, pensantes e independentes.
Esse episódio não pode ser tratado como algo menor. Repito: sobretudo, por nós mulheres.
Ele importa porque revela, com todas as letras, o que parte desse campo político pensa, ainda que nem todos tenham coragem de dizer em voz alta. Importa porque atinge diretamente mais da metade da população brasileira. E importa, também, porque reforça a necessidade da constante vigilância feminina, da resistência, porque direitos não são permanentes quando ainda há quem os despreze.
A resposta a esse tipo de declaração não deve ser a apatia. Deve ser o enfrentamento firme, consciente e coletivo. Porque toda vez que alguém tenta diminuir a capacidade política das mulheres, não está apenas atacando um grupo está atacando a própria democracia, inimiga dos tiranos.
Como dizem: “Mulher não tem um segundo de paz”.
Quem é Paulo Figueiredo?
Neto do general João Baptista Figueiredo, último presidente da ditadura militar brasileira, ele vive nos Estados Unidos. Atua nas redes sociais e em transmissões ao vivo voltadas ao público conservador.
Próximo do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Paulo Figuereido tem atuado como interlocutor junto a integrantes do governo do presidente Donald Trump e de parlamentares do Partido Republicano.
O influenciador também é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por envolvimento com o golpismo, por supostamente coordenar a difusão de fake news e desinformação na trama golpista. Em 2025, o Ministro Alexandre de Moraes determinou sua inclusão em investigações que apuram a atuação de brasileiros residentes no exterior em supostas ações para constranger autoridades brasileiras e articular sanções internacionais contra ministros da Corte. O acusado nega irregularidades e afirma que sua atuação está amparada pela “liberdade de expressão”.
Redação PNB, por Sibelle Fonseca



