“Diocese de Juazeiro e moradia” por Roberto Malvezzi (Gogó)

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06/06/2024 - Juazeiro (BA) - Na foto: Roberto Malvezzi, Assessor da ANBB e da Pastoral da Terra. Foto: Arnaldo Sete/Marco Zero.
1. Adote uma cisterna

Nesse ano de 2026, quando a temática da Campanha da Fraternidade é FRATERNIDADE E MORADIA, é interessante notar o quanto a Diocese de Juazeiro da Bahia já fez e faz na sua luta solidária para melhorar as habitações do povo, às vezes construindo casas, às vezes reformando, às vezes construindo anexos que melhoram a qualidade das habitações.

Esse trabalho é realizado muitas vezes em parceria com organizações da sociedade civil. São várias etapas, em processo com outros estados do Semiárido, com tantas entidades articuladas na Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), até que tenha se transformado em uma política pública e ganhado escala em todo o território do Semiárido Brasileiro.

Essa tabela abaixo é do programa “ADOTE UMA CISTERNA: ATÉ 2004 NENHUMA FAMÍLIA SEM ÁGUA”, nosso trabalho pioneiro nesse campo, iniciativa dessa Diocese, simultaneamente com a Diocese de Ruy Barbosa, quando nos propúnhamos, ainda em 1998, o desafio ousado de que “até 2004 nenhuma família sem água” no território diocesano.

Porém, o que não imaginávamos, é que em 1999, reunida no Recife para a Conferência da Desertificação, a Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), inspirada nesse lema, iria propor o Projeto Um Milhão de Cisternas (P1MC) para todo o território do Semiárido Brasileiro, focando nas cisternas de consumo humano, posteriormente ampliado no Projeto Uma Terra e Duas Águas (P1+2), focado nas tecnologias de produção. Hoje, menos de 30 anos depois, a sociedade civil organizada na ASA praticamente já pode celebrar essa conquista. É o “milagre da gota d! água”, mas é também o “milagre da criatividade e da solidariedade organizadas”.

Comecemos os números a partir do que a Diocese de Juazeiro fez com recursos próprios, da solidariedade nacional e internacional e já com uma parte de dinheiro público. Tudo começou com o financiamento da OXFAM para 50 cisternas, no município de Campo Alegre de Lourdes, na região da Malhada.

Resumo dos Dados Cadastrados

Total Geral de Cisternas: 2.349 unidades.
Maior Beneficiado: Remanso (462 cisternas).
Menor Beneficiado: Sobradinho (42 cisternas).

👥 Divisão por Financiadores

Fundo Solidário: 592 cisternas.
CODEVASF / ANA: 1.757 cisternas.
(Dados obtidos nas planilhas enviadas por Salete Pereira)
2. Sociedade de ações educativas, sociais e tecnológicas (SAET)

Posteriormente, já com a fundação da SAET em 2008, o programa se ampliou, ainda com fundos da solidariedade nacional, internacional e do Estado Brasileiro. Esses são os números da SAET:

Resumo dos Dados Apresentados

Total de Cisternas: 5.528 (5.348 para consumo humano + 180 para produção).
Pilão Arcado: 3.728 cisternas de consumo humano.
Na Diocese: 1.800 cisternas no total (1.620 de consumo + 180 de produção).
Financiadores: MISSIO SCHÄRF / ROTARY CLUB / COLABORADORES DA ALEMANHA / ESTADO BRASILEIRO.
Fonte: SAET (Edmundo).
3. Programa de casas e anexos na paróquia da Campo Alegre de Lourdes

PROJETOS (CASAS, BANHEIROS, CISTERNAS, CONSERTO DE CISTERNAS, CAIXAS DE ÁGUA, CESTAS BÁSICAS, MATERIAL ESCOLAR, CAMPANHA DA SEMENTE E GESTANTES)

Essa é uma iniciativa da Paróquia de Campo Alegre de Lourdes. Vamos citar apenas os números de casas, banheiros, cisternas, conserto de cisternas e caixas d’águarealizadas nesses anos, fundos praticamente oriundos de Colaboradores da Alemanha, Rotary Club e Missionsrilfe. Grande parte da execução foi realizada pelo STR de Campo Alegre

Síntese dos Dados

Total de Benefícios: 4.173 atendimentos.
Casas (Construção/Reforma): 1.796 unidades (43,0%).
Cisternas: 1.784 unidades (42,8%).
Caixas de Água (2000L): 246 unidades (5,9%).
Conserto de Cisternas: 176 unidades (4,2%).
Banheiros: 171 unidades (4,1%).


Análise dos Dados

Concentração de Recursos: A maior parte das ações foca em moradia e acesso direto à água de grande escala, somando 85,8% do total (Casas e Cisternas).
Foco em Recursos Hídricos: Três das cinco categorias estão ligadas ao armazenamento e manutenção de água (Cisternas, Caixas de Água e Conserto de Cisternas), totalizando 52,9% dos benefícios concedidos.
Ações de Menor Escala: Intervenções como instalação de caixas d’água menores, reformas de banheiros e reparos estruturais em cisternas representam, juntas, apenas 14,2% das metas atingidas.
4. Obras da articulação no semiárido brasileiro (ASA)

Por fim, as tecnologias construídas pela Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) pelas mãos das entidades parceiras da região: Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), Serviço de Assessoria a Organizações Populares (SASOP), Serviço de Assistência Socioambiental no Campo e Cidade (SAJUC) e Articulação Sindical da Borda do Lago de Sobradinho.

Fonte: https://asabrasil.org.br/asa-em-numeros/  acesso 20./05/2026

Síntese Quantitativa Geral

Total de Tecnologias/Obras da ASA: 20.515 intervenções distribuídas nos 10 municípios listados.
Predomínio do P1MC: O programa de cisternas de consumo doméstico representa a ampla maioria do investimento, somando 15.879 unidades (77,4% do total).
Presença do P1+2: O programa voltado à produção soma 4.636 unidades (22,6% do total).
5. OUTRAS POLÍTICAS PÚBLICAS

É preciso salientar a importância de outras políticas públicas, que vieram diretamente via Estado, seja dos governos da Bahia ou do governo Federal, nessa dimensão de melhoria das habitações em nosso território.

O MINHA CASA, MINHA VIDA construiu muitas habitações dignas em todo nosso território, particularmente na cidade de Juazeiro. Hoje temos imensos residenciais em lugares onde só tínhamos casas precárias e empobrecidas. Há problemas nos residenciais, mas nunca se pode ignorar o avanço social na política de habitação.

O programa LUZ PARA TODOS fez chegar energia elétrica em muitos lugares do interior. Com ela vieram a telefonia, a internet, a iluminação das casas, os eletrodomésticos fundamentais em tudo que depende da energia para existir. É bom lembrar que a ausência de energia elétrica remete essa população a viver nas condições do século XIX. É útil lembrar também que ainda temos muitas comunidades e lares sem energia elétrica e casas dignas em nossa região. Então, temos muitos avanços, mas temos muito ainda a ajudar construir.

Houve também óbvia melhoria na qualidade de nossas estradas e na vida de nossas cidades, embora os desafios urbanos sejam imensos, principalmente em cidades de grande porte como Juazeiro, com seu desafio grave desafio de saneamento básico.

A prova empírica desses avanços é que já não temos migrações intensas em tempos de estiagem prolongada, não temos mais bolsões de fome e sede, não temos mais necessidade das Frentes de Emergência, não ouvimos mais falar em saques nas cidades, a mortalidade infantil desabou de 140 por mil na seca de 1979 a 1983 para 16 por mil em estatísticas mais recentes. Esse nível praticamente atinge o padrão de sanidade estabelecido pela ONU no que se refere à mortalidade infantil.

Um indicativo mais científico é o Índice de Desenvolvimento Humano medido pelo IBGE (IDH), baseado nos indicadores de escolaridade, longevidade e renda.

É gratificante registrar que nós participamos desse processo, com nossos limites, mas com todas as nossas forças. O IDH é medido pela combinação de três índices: longevidade, educação e renda. Por isso “tanta sede resolvida, tanta fome superada, o pão da vida repartido, e a palavra celebrada, venha a nós teu Santo Reino, e o pão de cada dia, faça-se tua vontade, na justiça e na alegria” (Hino dos 50 anos da Diocese de Juazeiro-BA).

Juazeiro, 1de julho de 2026.

 

Por Roberto Malvezzi (Gogó)

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