Uma leitora do Portal Preto no Branco procurou a nossa redação para relatar o que classifica como abandono no Cemitério Municipal de Juazeiro, na região Norte da Bahia, onde seus pais estão sepultados. Segundo Rozimeire Pedroza Torres, a falta de manutenção, de sinalização e de organização tem tornado as visitas ao local cada vez mais difíceis.
Morando em Salvador, ela conta que esteve no cemitério central de Juazeiro no último dia 01 e se deparou com um cenário de abandono.
“Visitar o cemitério deveria ser um momento de paz, de respeito e de memória. No entanto, a realidade encontrada no cemitério de Juazeiro, na Bahia, é de completo abandono e descaso. Chegar até o túmulo de um ente querido já é uma tarefa difícil. Não existe mapa, sinalização adequada ou qualquer orientação que facilite o acesso. Em muitos momentos, somos obrigados a caminhar sobre outras sepulturas para conseguir chegar ao destino, em total desrespeito à história e à memória de tantas famílias”, desabafou.
Ela também chamou atenção para a presença de animais abandonados no cemitério. “Há uma grande quantidade de gatos abandonados, muitos deles doentes, sem qualquer cuidado ou assistência. Isso mostra o abandono não só do espaço público, mas também desses animais”, relatou.
Outro problema apontado por ela é a falta de conservação dos jazigos. “Cruzes de mármore foram roubadas, os túmulos sofrem com a falta de manutenção e a sensação é de insegurança e desrespeito. Para manter o túmulo dos nossos familiares limpo e minimamente conservado, muitas famílias precisam pagar uma pessoa para fazer esse serviço. Eu, por exemplo, paguei uma pessoa para limpar e tirar a sujeira do túmulo e ela também me acompanhou até o local, porque sozinha eu teria dificuldade de encontrá-lo. Algumas pessoas da minha família nem têm mais coragem de ir lá por causa de todo esse transtorno”, disse.
Rozimeire afirma ainda que tentou registrar uma reclamação na Ouvidoria da Prefeitura de Juazeiro, mas não conseguiu finalizar o atendimento.
“Tentei fazer a denúncia pela Ouvidoria da prefeitura, mas o sistema não concluía o procedimento. Se eu, que entendo de internet, não consegui, imagino quem não tem facilidade. O cidadão encontra mais uma barreira para conseguir reclamar”, criticou.
Ela finaliza o relato, reforçando o apelo para que a situação receba atenção do poder público.
“Já é doloroso revisitar o lugar onde repousam aqueles que amamos. Afinal, uma parte da nossa história está ali e, um dia, também estaremos. Esse espaço deveria transmitir serenidade, acolhimento e respeito. Poderia ser mais organizado, sinalizado, florido e digno. Cuidar de um cemitério é cuidar da memória de uma cidade, da dignidade das famílias e do respeito por aqueles que partiram. O abandono não pode ser tratado como algo normal. É preciso agir.”
O Portal Preto no Branco encaminhou os relatos para a Secretaria de Serviços Públicos de Juazeiro e aguarda uma resposta.
Redação PNB



