Os familiares de Jefferson Pereira Silva, de 23 anos, morto durante uma ação da Polícia Militar no último dia 24, no bairro Tabuleiro, em Juazeiro, na região Norte da Bahia, seguem buscando justiça para o caso. Eles contestam a versão apresentada pela 75ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), que informou ter havido confronto, e afirmam que o jovem estava desarmado, sofria de transtornos mentais e foi perseguido e morto durante a abordagem.
Em nova entrevista ao Portal Preto no Branco nesta sexta-feira (31), João Silva Pereira, pai de Jefferson, afirmou que registrou uma queixa na Delegacia de Polícia Civil e que um inquérito já foi instaurado.
“Fui ao delegado, prestei a queixa. Fiz também o levantamento da ação policial. As pessoas que estavam presentes já foram intimadas pelo delegado e estão prestando depoimento. A Polícia Civil já abriu o inquérito após a denúncia e começaram as oitivas”, afirmou.
O pai informou ainda que, além da investigação conduzida pela Polícia Civil, também pretende buscar a apuração do caso em outras instâncias.
“Ainda não entrei com uma ação no Ministério Público, mas já conversei com o promotor. Também vamos levar o caso à Corregedoria da Polícia Militar”, disse.
O PNB solicitou à Polícia Civil informações sobre o andamento das investigações e aguarda uma resposta. Nós também solicitamos uma nota à Polícia Militar da Bahia, mas até o momento não obtivemos resposta.
Em nota encaminhada ao Portal Preto no Branco, o CPRN havia informado que o jovem “ao perceber a presença da guarnição, empreendeu fuga. Durante o acompanhamento, o indivíduo efetuou disparos de arma de fogo contra os policiais militares, que reagiram à injusta agressão “, versão contestada pela família que tem um vídeo onde o rapaz aparece correndo e sendo perseguido por uma motocicleta. O passageiro do veículo, um PM, dispara alguns tiros em direção ao jovem. O CPRN também afirmou que : “após cessarem os disparos, ele foi encontrado ferido, sendo imediatamente socorrido para uma unidade de saúde, onde o óbito foi constatado pelo médico plantonista”.
Outra informação da PMBA que a família contesta, é de que na ocorrência, “foram apreendidos um revólver calibre .38, um cartucho intacto e cinco estojos deflagrados do mesmo calibre, além de uma quantidade de substância análoga a crack, uma balança de precisão e um aparelho celular”.
” Meu filho não estava armado. Ele foi perseguido e executado”
Em entrevista ao programa Preto no Branco, na manhã da última segunda-feira (27), o pai do jovem afirmou que o relato da 75ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), de que houve confronto armado, “não corresponde ao que aconteceu”.
“Meu filho estava saindo da casa da irmã, no bairro Itaberaba, e seguia para a casa da mãe quando encontrou a viatura. Como ele sofria com transtornos mentais e carregava um trauma causado por uma abordagem policial anterior, entrou em estado de choque e começou a correr. Foi aí que começou a perseguição. Em nenhum momento ele atirou contra os policiais, porque ele não tinha arma e nunca teve passagem pela polícia”, afirmou.
Ainda segundo o pai, um dos policiais teria dado continuidade à perseguição utilizando a motocicleta de um homem que passava pelo local.
“Como a viatura não conseguia passar por causa de umas tubulações existentes na via, esse policial parou um motociclista e exigiu que ele o levasse, coagindo esse cidadão. Nós temos imagens que mostram meu filho correndo, desarmado, enquanto o policial o perseguia na garupa da motocicleta e efetuava disparos”, relatou.
Ainda conforme a família, Jefferson tentou se refugiar em uma residência no bairro Tabuleiro, mas teria sido alcançado pelos policiais.
“Meu filho ainda conseguiu entrar em uma casa para tentar se proteger, mas os policiais foram atrás dele e o executaram. Foi uma execução. Meu filho não era bandido, como a Polícia está dizendo. Era um rapaz trabalhador, estudioso. Nós fomos até a escola onde ele estudava, conversamos com os professores e todos confirmaram que ele tinha um bom comportamento. Ele enfrentava problemas psicológicos e já estava com consulta marcada no CAPS. O que fizeram com ele foi uma covardia”, declarou o pai, emocionado.
A família afirma que pretende buscar justiça para o caso e a responsabilização dos envolvidos.
“Nós queremos justiça. Queremos que esse caso seja investigado com seriedade e que os policiais envolvidos respondam pelo que fizeram. Já reunimos provas, temos imagens, depoimentos e um abaixo-assinado com assinaturas de moradores do bairro Tabuleiro que conheciam meu filho. Também vamos levar o caso à Corregedoria”, concluiu.
Redação PNB



