Gasolina com 32% de etanol chega aos postos neste sábado; veja o que muda

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A gasolina comercializada nos postos brasileiros passa a ter uma nova composição a partir deste sábado, 1º. O percentual obrigatório de etanol anidro na mistura sobe de 30% para 32%, conforme determinação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

A medida, anunciada em 14 de julho, terá validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período.

Segundo o governo, a mudança leva em conta a volatilidade do mercado internacional de petróleo e dos combustíveis, em um contexto de alta dos preços dos combustíveis fósseis impulsionada, entre outros fatores, pela escalada do conflito no Oriente Médio.

Entenda mudanças

Quando a mudança foi anunciada, o portal A TARDE conversou com o engenheiro especialista em eletrificação e professor do Senai Camaçari, David William Dias, que explicou que a principal diferença entre gasolina e etanol permanece a mesma, mesmo com o aumento da mistura.

Enquanto a gasolina oferece maior autonomia por ter uma densidade energética mais elevada, o etanol proporciona mais potência durante a combustão.

“O etanol tende a gerar mais potência do que a gasolina, entendeu? Já a gasolina tende a ter um rendimento melhor. Você precisa de menos partes de gasolina porque ela tem uma densidade energética maior do que a do etanol.”

Segundo o especialista, os motores flex foram desenvolvidos para operar com diferentes proporções de gasolina e etanol, o que reduz os impactos da mudança para a maioria dos veículos atuais. Já os modelos movidos apenas a gasolina podem sentir mais os efeitos do aumento do teor de etanol, principalmente nas partidas a frio.

“Nos modelos mais antigos, que usam apenas gasolina, quanto maior o teor de álcool, maior a dificuldade para dar partida pela manhã, quando o motor está totalmente frio, principalmente se o clima estiver um pouco mais frio. Isso acontece porque o álcool demora mais para que o motor atinja a temperatura ideal de trabalho, na qual consegue queimar o etanol com o máximo de eficiência e extrair o máximo do combustível.”

Para o consumidor, a escolha entre gasolina e etanol continuará dependendo da relação de preços e da forma de utilização do veículo.

“Então, para quem roda pouco ou percorre distâncias curtas, em que o carro não aquece totalmente, a gasolina é o melhor combustível. Também é mais indicada para quem faz viagens longas e quer parar menos para abastecer, porque ela rende mais do que o etanol. Por outro lado, o etanol pode gerar mais potência nas arrancadas e mais torque, porém apresenta uma eficiência menor por ter uma densidade energética inferior à da gasolina.”

E o bolso do consumidor?

Uma das justificativas do governo para ampliar a participação do etanol é a possibilidade de reduzir o preço da gasolina nas bombas. Ainda assim, para o consumidor, a escolha entre gasolina e etanol continuará dependendo da relação de preços encontrada nos postos.

“Em relação ao preço, se continuar sendo usada a regra dos 70%, ou seja, se a gasolina custar até 70% do preço do etanol, ela continuará valendo mais a pena para o consumidor. Mas acredito que isso não vai continuar, porque o preço deve subir junto com o aumento da adição de etanol. Nesse caso, vai valer mais a pena fazer a conta na bomba.”

A Tarde

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