Na minha infância, os livros eram escassos. Muitas vezes, mal tínhamos os didáticos que chegavam à escola. Minha primeira leitura mais densa, uma obra de Machado de Assis, foi resgatada de uma caixa com vários livros mofados que um vizinho havia colocado no lixo.
Quem cresceu sem incentivo à leitura, comemorando cada oportunidade de conseguir um livro, não tem como não se emocionar com a revolução que representa a Juá Literária.
Ver crianças que, assim como eu um dia fui, com pouco poder aquisitivo podendo escolher os próprios livros é muito emocionante. Estamos presenciando a democratização da leitura, o incentivo a formação não só de leitores, mas também de novos autores.
A nova gestão com Andrei Gonçalves e Maéve Melo, Secretária de Educação, foram muito assertivos ao unir cultura e educação em um evento tão bonito e transformador. Foi lindo ver o brilho no olhar das crianças!
E o juazeirense, que sempre teve uma forte ligação com suas raízes culturais e musicais, teve motivos para renovar seu orgulho. Essa terra merece. Esse povo merece. Nossas crianças merecem!
Sabemos que ainda existem questões estruturais a serem ajustadas, mas é notável que, já em sua segunda edição, a Juá Literária demonstra evolução e se consolida como um evento que fortalece a educação, valoriza a cultura. As críticas existem, podem e devem ser ouvidas, mas nada tira a grandiosidade que já é esse evento que, além disso dá visibilidade ao município e fortalece o turismo.
Meu desejo é que a Juá Literária continue crescendo e formando gerações que tenham muito mais histórias para escolher do que eu tive na minha infância.
Luciana Souza, Professora e Mestre em Educação



