Pais e responsáveis por estudantes do Colégio Estadual Luiz Eduardo Magalhães, conhecido como Colégio Modelo, em Juazeiro, na região Norte da Bahia, procuraram o Portal Preto no Branco para relatar problemas relacionados ao transporte escolar de alunos que moram no interior do município. Segundo eles, a situação tem gerado gastos extras, insegurança e longas esperas para quem depende exclusivamente do transporte escolar.
“Desde o início do ano letivo, os alunos do 1º ano do ensino integral que moram em Maniçoba estão sem ônibus para voltar para casa após o final das aulas, às 15h. O colégio libera os alunos e deixa eles do lado de fora, no meio da rua, sem nenhuma assistência. A escola afirmou que teria ônibus para os alunos retornarem às 15h, mas esse transporte não existe”, relata uma mãe de aluno.
Sem o transporte escolar, ela diz que precisou assumir diariamente os custos do deslocamento do filho.
“Estou pagando Uber e topic todos os dias. Quando não tenho dinheiro para o Uber, ele vai a pé até o ponto das topics de Maniçoba. É um descaso total”, afirma.
Ela também questiona a orientação dada aos estudantes pela gestão escolar.
“Quando liberam os alunos, dizem que não tem ônibus e que, se quiserem, esperem o das 18h. Agora, qual aluno aguenta ficar da manhã até a noite na escola e, no outro dia, acordar às 5h para voltar? Só tem ônibus para vir, para voltar às 15h não tem”, reclama.
A responsável também relata problemas quando há aula vaga no turno da tarde.
“Além de não ter transporte para o aluno do integral voltar às 15h, quando não tem aula à tarde, proibiram os alunos de retornarem no ônibus das 12h, alegando que não tem vaga. Obrigam os pais a pagar transporte, mesmo com o ônibus parado na porta da escola. Cadê a vaga que ele veio?”, questiona.
Também em contato com o PNB, estudantes de outras comunidades da zona rural de Juazeiro reforçam a reclamação.
“Quando somos liberados às 12h, não temos autorização para utilizar o ônibus do parcial para retornar às nossas cidades. Essa decisão acaba prejudicando muitos estudantes do interior, que dependem exclusivamente do transporte escolar e, muitas vezes, precisam esperar horas até o próximo horário disponível”, relatam.
Os estudantes defendem que a medida seja revista.
“Permitir que os alunos liberados ao meio-dia utilizem o ônibus do parcial seria uma medida de bom senso, trazendo mais segurança, conforto e respeito à realidade de quem mora longe da escola. Nosso objetivo não é criar conflitos, mas buscar uma solução justa que beneficie todos os estudantes do interior que enfrentam essa dificuldade diariamente”, concluem.
O Portal Preto no Branco encaminhou as reclamações às Secretarias de Educação do Município e do Estado em busca de esclarecimentos. Em resposta, a SEDUC informou que “a organização das rotas e dos horários do transporte escolar destinado aos estudantes do interior matriculados no Colégio Modelo foi definida em alinhamento com a gestão da unidade de ensino, considerando o funcionamento da escola e a logística do serviço. Ressalta, ainda, que eventuais ajustes nos horários ou nas rotas devem ser formalmente solicitados pela direção da escola, para que possam ser analisados pela equipe responsável pelo transporte escolar, observando a viabilidade técnica e operacional, sempre com o objetivo de atender às necessidades dos estudantes da melhor forma possível”.
Redação PNB



