Moradores do distrito Junco/Salitre, na zona rural de Juazeiro, no Norte da Bahia, realizam uma manifestação na manhã desta segunda-feira (10), em frente à Prefeitura de Juazeiro. A mobilização tem como principais reivindicações a melhoria das estradas da região, o acesso à água para as comunidades e investimentos em infraestrutura.
Segundo os manifestantes, o ato teve início na BA-210, nas proximidades do contorno do Rodeadouro. Ainda de acordo com os participantes, durante a mobilização houve uma intervenção da Polícia Militar e os moradores teriam sido retirados do local de forma hostil.
“A comissão do Distrito do Junco/Salitre vem se reunindo e buscando algumas tratativas com a gestão executiva para que levantássemos algumas pautas e tivéssemos algumas respostas. Diante de não ter esse acesso com a gestão executiva, mesmo com várias tratativas e várias portas abertas, não conseguimos ter êxito. Organizamos este ato para hoje e usaram todo um aparato policial, hostilizando as comunidades do distrito e nos interceptando e impedindo de nos manifestar. Mesmo com acordo com a Polícia Militar, de repente chegaram lá, de maneira truculenta, guarnições da CEPAC (Companhia de Polícia de Ações em Caatinga), ameaçando todo mundo com bala de borracha, spray de pimenta, bomba de efeito moral e gás lacrimogêneo, empurrando todo mundo e nos hostilizando”, declarou um integrante da comissão organizadora.
Ainda segundo o manifestante, os policiais teriam fotografado os veículos que estavam no local e ameaçado multar motoristas que seguissem em direção a Juazeiro.
“Tiraram foto de todos os veículos que se encontravam ali. Não era veículo obstruindo a via, era só o povo na pista. Para além disso, ameaçaram todo mundo que entrasse nos seus carros com destino a Juazeiro, dizendo que iriam multar todos os veículos e que a ordem era para voltar para o Salitre. Ou seja, liberou a via para dar o direito de ir e vir das pessoas e, automaticamente, obstruiu o direito de ir e vir do salitreiro. Isso é um absurdo”, acrescentou.
Após a saída da BA-210, os moradores seguiram para a sede da Prefeitura de Juazeiro. O integrante da comissão afirma que, mesmo com os veículos estacionados de forma regular em frente ao prédio, a presença policial teria continuado.
“Ao chegarmos, de maneira pacífica, com os carros estacionados de maneira correta na frente da Prefeitura, o mesmo aparato utilizado, a mando do prefeito, do secretário e do coronel Wilton, a CEPAC, que acompanhou todo o percurso nos hostilizando e amedrontando todo mundo, se encontra em frente à Prefeitura ameaçando a população”, declarou.
Diante da atuação policial, o manifestante questionou a postura adotada durante o protesto.
“A polícia está do lado do povo, para defender o povo ou para seguir ordem de coronelismo? A gente está vivendo agora uma época arcaica, em que o coronel manda na cidade, diz quem entra e quem sai? É um absurdo isso”, concluiu.
O Portal Preto no Branco procurará a Prefeitura de Juazeiro e a Polícia Militar para que se manifestem sobre as acusações feitas pelos moradores e sobre a atuação policial durante o protesto.
Redação PNB



